“Miss Beleza Infantil,” – ICCA posiciona-se contra a organização do evento

14/06/2017 01:53 - Modificado em 14/06/2017 01:53
| Comentários fechados em  “Miss Beleza Infantil,” – ICCA posiciona-se contra a organização do evento

Na sequência das informações divulgadas nas redes sociais e nos jornais online sobre o concurso “Mini Miss Beleza Infantil Praia 2017”, o Ministério da Família e Inclusão Social, através do Instituto Cabo-verdiano da Criança e Adolescente, ICCA, reagiu à notícia posicionando-se contra a realização desse evento, exigindo um pedido de desculpas por parte dos organizadores em relacionarem o nome da instituição com a organização do evento.

A instituição pública encarregue de promover e executar a política governamental para a protecção e defesa dos direitos da criança e do adolescente esclarece, em comunicado de imprensa, que só teve conhecimento desse concurso por volta das 12 horas de segunda-feira, 12 de Junho, sublinhando que não só é contra a realização desse concurso como também (é contra) de outros eventos do tipo, “pelo impacte que poderão ter na vida das crianças/meninas” e repudia veementemente a forma como o bom nome da Instituição foi envolvido neste caso. Por isso, afirma veemente que a organização não tem o seu aval para a realização do concurso.

Esclarece ainda que, tendo em conta a sua missão, o concurso “Mini Miss Beleza Infantil Praia 2017 não tem o aval do ICCA” que, a título de exemplo, torna público que no passado dia 29 de Maio do corrente ano, deu parecer negativo à realização do mesmo tipo de evento em Santa Catarina de Santiago.

A discussão do tema foi levantada pelo jornalista Odair Varela e autor do livro “Fita cor-de-rosa” e “Tufas, a Princesa Crioula”, na sua página do Facebook.

Em posicionamento contra o referido evento, o mesmo questiona a realização do evento tendo em conta as suas futuras consequências. “Porque um país com tão graves problemas de abuso sexual de crianças não deveria apostar em eventos que apenas contribuem para a erotização das meninas crianças. Claro que estas mini misses são incentivadas pelas mães, que muitas vezes apenas estão a projectar nestas crianças um desejo próprio de vaidade. Infelizmente, esses concursos não são assistidos apenas pelas mães babadas com as “fofuras” das suas crianças”, trecho do Post.

De acordo com o mesmo, citando dados, cerca de 19% dos presos a cumprir pena em Cabo Verde estão lá por crimes relacionados com abusos sexuais.

Este diz-se ter “espantado ao ver que um dos parceiros deverá ser o Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), conforme apontado pelos promotores do evento na página”, algo que a própria instituição veio a publico condenar, afirmando que segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, no artigo 17, número 1: “A criança e o adolescente têm direito à protecção da sua integridade pessoal que compreende a saúde física, psíquica e moral”.

Pois bem, sabiam que o ICCA elaborou o ‘Estudo Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes 2015-2018’ e mostrou-nos que as queixas de abuso sexual de crianças e adolescentes quadruplicaram em Cabo Verde entre 2009 e 2014? E que 95 por cento dos casos atendidos no ICCA são menores de 12 anos? Não acredito que esta tenha sido uma das recomendações deste estudo.

Elvis Carvalho

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.