Bloqueio ao Qatar abre corrida aos supermercados

7/06/2017 01:32 - Modificado em 7/06/2017 01:32
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O bloqueio ao Qatar anunciado na segunda-feira por Arábia Saudita e outros países árabes, que envolve o encerramento de fronteiras terrestres e marítimas, começou ontem a ter os primeiros feitos práticos: por um lado, o aeroporto internacional de Doha estava quase vazio, já os supermercados estavam cheios de pessoas com medo de uma rotura do abastecimento de bens.

Nas redes sociais chamavam-lhe ontem “compras por pânico”, juntando-lhes fotografias de supermercados com carrinhos de compras a transbordar e prateleiras vazias, depois dos residentes no Qatar terem acorrido às lojas para abastecerem as suas despensas devido ao bloqueio liderado pela Arábia Saudita, único país com fronteira terrestre com o Qatar.

Milhares de camiões cheios de alimentos estavam retidos na fronteira saudita-qatari, impedidos de entrar no Qatar. Já a Maersk, a maior empresa de transporte de mercadorias, anunciou que não conseguia transportar bens de e para o Qatar pois estava impedida de os fazer passar pelo porto de Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos.

Segundo um relatório de 2015, o instituto de investigação Future Directions International, a maior partes das importações alimentares do Qatar chegam através do Estreito de Ormuz ou pela fronteira saudita. Com o bloqueio, adivinha-se que o Qatar terá de encontrar um abastecimento alternativo.

O Irão, de acordo com a AP, que cita a agência Fars, já se ofereceu para abastecer o Qatar por via marítima, tendo Reza Nourani, líder da confederação iraniana de exportadores de produtos agrícolas, garantido que poderiam fazer chegar em 12 horas carregamentos ao país.

Outra das consequências deste bloqueio era ontem palpável no gigantesco aeroporto internacional Hamad, em Doha, onde reinava uma calma inusual, já que a Qatar Airways foi proibida de voar para os países árabes envolvidos nesta crise -aliás, a Arábia Saudita retirou-lhe mesmo a licença – e as companhias destas mesmas nações deixaram de efetuar ligações aéreas para o Qatar. Ontem, 30 voos da Qatar Airways com partida ou destino de Doha tinham sido cancelados, não havendo filas para o check-in e os táxis não tinham muitos clientes.

Donald Trump, comentando a pior cisão entre países do Golfo em décadas, afirmou ontem que a sua recente viagem ao Médio Oriente “já está a ter resultados” com os líderes a adotar uma linha mais dura de ação e acusar o Qatar de financiar grupos terroristas. “Tão bom ver que a visita à Arábia Saudita com o rei e 50 países já está a ter resultados. Eles disseram que iriam seguir uma linha dura no financiamento do terrorismo e tudo apontava para o Qatar. Talvez isto seja o princípio do fim do terrorismo!”, tweetou o presidente norte-americano. Estes comentários surgem num momento delicado da crise, com a chegada do líder do Koweit à Arábia Saudita para tentar mediar a situação. O Qatar é acusado por Riade e seus aliados de financiar grupos terroristas como o Estado Islâmico, Al-Qaeda, Hamas e Irmandade Muçulmana, acusações que Doha nega veementemente. O ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Adel Al-Jubeir, afirmou que o Qatar precisa de tomar várias medidas antes do restabelecimento de relações, incluindo deixar de apoiar o Hamas e a Irmandade Muçulmana. “Ninguém quer prejudicar o Qatar. O Qatar é que tem de decidir em que direção quer seguir”, afirmou.

Diário de Notícias

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