POST: o nacionalismo estreito, rançoso não cheira bem

2/06/2017 07:22 - Modificado em 2/06/2017 07:22
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Este post de Eurico Monteiro  é daqueles que não se devia comentar .Porque não precisa . Mas é necessário perante a onda xenófoba  fedendo a um nacionalismo “estreito e rançoso” que assistimos no passado quando das privatizações doa anos 90 e que assistimos  agora  quando se procura com investidores estrangeiros encontrar uma solução  para os transportes aéreos em Cabo Verde . Cheira mal , quando gente com responsabilidades continua a ler pela cartilha de Trosky  defende  que “temos de conquistar o controlo nacional e democrático dos nossos parcos recursos”. Quando gente ensaiando uma nova versão de “amor a terra”  quer que a nossa terra , os nossos aviões, a nossa energia , as nossas praias, os nosso mares  sejam  só nossos quando lhes convém e não entendem como diz Eurico Monteiro “não, voto para continuarmos a ser um país, com as suas fronteiras e o seu povo, povo que fez das terras dos outros a sua própria terra, que anseia em se afirmar em terras estranhas, e por isso mesmo nunca poderia fazer da sua terra… a sua terra apenas e de mais ninguém “

Eduino Santos

 

não, voto para continuarmos a ser um país, com as suas fronteiras e o seu povo, povo que fez das terras dos outros a sua própria terra, que anseia em se afirmar em terras estranhas, e por isso mesmo nunca poderia fazer da sua terra… a sua terra apenas e de mais ninguém

 

Não cheira bem

Há três maneiras de encararmos, enquanto país, o nosso relacionamento com o mundo: (1) vivermos centrados em nós, por nós, nas fronteiras do nosso território, e relacionarmo-nos com o mundo numa perspetiva meramente contabilística, de pura troca equitativa de bens e serviços (e quiçá de afetos), com saldo tendencialmente igual a zero; (2) sermos um quarteirão da aldeia global que é o mundo, e, no fundo, as autoridades que ainda teimamos em chamar de nacionais, são, afinal, uma espécie de ilustre comissão de moradores, e por isso não faz sentido a noção de país e de soberania quando o governo do mundo resulta de um intrincado sistema de interdependência, onde cada quarteirão joga o seu peso na balança da aldeia global; (3) sermos verdadeiramente um país, com o seu território e povo, mas num mundo cada vez mais interdependente e global, em que os conceitos de fronteiras e de soberania se vão esbatendo a pouco e pouco, até ao limite exterior de um núcleo irredutível, ainda não claramente definido.

Ora, Cabo Verde seria apenas uma miragem se o seu relacionamento com o mundo fosse regido pelo livro do deve/haver, recebendo dos outros apenas na medida das suas ofertas. O seu débito com o mundo seria de longe superior ao seu crédito, abrindo falência a curto prazo.

Vários escolheriam ser quarteirão, mas isso não é propriamente uma escolha que se nos oferece, antes mero resultado da dinâmica global e do jogo de forças para além do nosso controlo. Abstenho-me por isso!

Não, não, voto para continuarmos a ser um país, com as suas fronteiras e o seu povo, povo que fez das terras dos outros a sua própria terra, que anseia em se afirmar em terras estranhas, e por isso mesmo nunca poderia fazer da sua terra… a sua terra apenas e de mais ninguém! Não nega aos outros o que ele mesmo tão afincadamente procura, como se vivesse afinal partido, dividido (e)ternamente entre dois amores. Antes, anseia até por dar aos outros, quase naturalmente, como se desse jeito procurasse compensar o que dos outros tem recebido ao longo dos tempos.

Na nossa terra é nosso o que é bom para nós!

Sou, por isso, contra o nacionalismo estreito, rançoso, com insuportável cheiro a mofo.

Eurico Monteiro

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