Zé Pereira: um amante da natureza com um olhar em causas sociais

17/05/2017 07:50 - Modificado em 17/05/2017 07:50
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Amante desde cedo da fotografia, quer usar a arte, juntamente com a sua experiência social, como forma de ajudar crianças, adolescentes e jovens a não enveredarem pelo caminho das drogas. Usar a sua experiência para ajudar aqueles que enfrentam este “inferno”, mas infelizmente, salienta, uma boa parte destas crianças e adolescentes em situação de rua já usa drogas.

 

Define-se como um fotógrafo da natureza, mas ao mesmo tempo usa o seu talento em questões de ordem social. Com a objectiva da sua lente, costuma frequentemente denunciar diversos problemas sociais por onde passa.

Actualmente, está inserido num projecto em que quer usar a sua arte como forma de inclusão.

Em conversa com o fotógrafo mindelense, este fala sobre o novo projecto social, que tem como alvo crianças em situação de rua.

O projecto consiste numa formação de iniciação fotográfica, conforme nos deixou saber, com a duração de dois dias, no Centro Irmãos Unidos, em Chã de Alecrim.

Durante uma hora de formação teórica onde irá explanar sobre a fotografia, a arte, tipos de fotografia e a sua importância e, no último dia, sexta-feira, será inserida a componente prática com duas horas. “Nesse dia sairemos à rua para fotografar. Estamos a ver a possibilidade de realizar uma exposição com os trabalhos destas crianças e adolescentes”. O certo é que depois de terminada a formação, os trabalhos serão entregues ao centro, de forma impressa, garante o fotógrafo que assume pessoalmente esta responsabilidade.

Notícias do Norte: Como surgiu a ideia de criar o projecto?

Zé Pereira: Recebi um convite da estudante Yarin Almeida que está a concluir a sua licenciatura. Esta formação insere-se nas suas actividades de estágio para o trabalho de fim de curso.

Notícias do Norte: Durante estes dias, o projecto atingiu quantas crianças? Ficou dentro do esperado?

Zé Pereira: Não estiveram todos presentes, esta segunda-feira, primeiro dia, mas o número de formandos que me foi avançado foi 15.

Notícias do Norte: É um projecto social, o que pretende alcançar?

Zé Pereira: Em relação à importância deste e, de outros de cariz social em que estou a trabalhar, tenho defendido a arte numa perspectiva inclusiva.

Quer do ponto de vista da formação como de inserção em diversos eventos culturais penso que a arte pode ser uma importante via de inclusão social.

Juntamente com dois outros colaboradores, Odair Soares e Andrea Ramos, estamos a desenvolver diversas actividades há cerca de um ano. Temos vindo a procurar sensibilizar os artistas, a convidá-los para os seus eventos, como forma de alerta da problemática das crianças em situação de rua, como forma de os fazer sentirem-se acarinhados pela sua cidade.

Acreditamos que se este procedimento for generalizado, trará importantes mudanças a nível comportamental quer da parte destas crianças, como da própria sociedade face a estas crianças.

Notícias do Norte: É um projecto que pretende manter ou apenas nesta primeira edição?

Zé Pereira: Este projecto não é pontual. Temos procurado organizar, pelo menos, uma actividade por mês.

O objectivo maior consiste em que as autoridades os retirem das ruas acolhendo-os em centros dignos e, da nossa parte, terão toda a nossa colaboração.

Notícias do Norte: Actua no campo social há muito tempo?

Zé Pereira: Pessoalmente, a componente responsabilidade social tem estado sempre presente nos meus trabalhos. Em todas as exposições fotográficas que realizei até agora (em 2016 foram 16 exposições) e a venda do 1º quadro, destinaram-se sempre a alguma instituição de cariz social ou a algumas pessoas carenciadas.

No fundo, o que tenho feito é disponibilizar-me para a sociedade em geral respondendo positivamente aos convites que me são feitos.

Notícias do Norte: Como é que abraçou a profissão de fotógrafo?

Zé Pereira: Sempre gostei de fotografia mas comecei a dedicar-me a ela de forma mais intensiva há 7 anos. Todavia, assumi esta arte como profissão há 1 ano, ciente da aceitação que o meu trabalho tinha adquirido e que cresce de dia para dia, decidi mudar-me para São Vicente.

Infelizmente, não consegui arranjar trabalho, então assumi esta arte como profissão e, felizmente, foi a melhor decisão porque as solicitações têm vindo a crescer.

Notícias do Norte: Que tipo de fotógrafo se define? Muitos fotógrafos levam tempo até definirem a sua área de actuação. Como foi essa questão para si?

Zé Pereira: Fotografo tudo o que me atrai, quer pela beleza quer pelo conteúdo. Assim, da mesma forma que fotografo as mais belas paisagens de Cabo Verde fotografo as barracas e lixeiras das ilhas da Boavista, Sal, Santiago e São Vicente como forma de denunciar as injustiças sociais.

Mas defino-me essencialmente como um fotógrafo da natureza. Vejo o meu trabalho, sobre a nossa biodiversidade, como forma de sensibilizar e proteger o nosso meio ambiente.

Vencedor de um concurso nacional de fotografia promovido pela Direcção-Geral do Ambiente, podem-se encontrar trabalhos seus publicados no Catálogo do Concurso Internacional de Fotografia “Transversalidades – Fotografia sem Fronteiras”, promovido pelo Centro de Estudos Ibéricos, nos 3 últimos catálogos referentes a 2014, 2015 e 2016

De 25 a 27 do corrente mês, as suas fotografias estarão no Festival Kulturarte na Córsega, que na Edição deste ano é dedicado a Cabo Verde.

Recebeu em 2017, a distinção pelo Natura Jazz 2017 que se realiza em Tenerife, como o candidato que representa Cabo Verde sendo um de 12 projectos premiados.

O recente livro “Cabo Verde, o Despertar de Darwin” tem 12 fotografias suas sobre a natureza.

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