Cameron propõe dois orçamentos para a UE e mais cortes no Reino Unido

7/10/2012 20:26 - Modificado em 7/10/2012 20:26
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O primeiro-ministro britânico, David Cameron, ameaçou neste domingo vetar o orçamento plurianual da União Europeia (UE) para 2014-2020, criticando as tentativas “escandalosas” para aumentar os gastos europeus. E defendeu um orçamento para a zona euro e outro para os países que, como o Reino Unido, não integram a moeda única.

 

“Se for preciso dizer que não a um acordo que não é bom para o Reino Unido, eu vou dizer não”, afirmou Cameron em entrevista publicada neste domingo pelo The Sunday Telegraph, numa altura em que decorre em Birmingham o congresso do Partido Conservador.

 

Em entrevista neste domingo à BBC, o primeiro-ministro diz sobre o mesmo assunto: “Os europeus sabem do que estou a falar, sabem que sou capaz de dizer não”. No ano passado Cameron vetou o tratado europeu para a coordenação das políticas orçamentais, o que agora foi recordado pelo primeiro-ministro britânico. “Sentei-me àquela mesa – com 27 países, 26 dos quais prontos a assinar o tratado, e disse que ‘isto não vai ao encontro dos interesses britânicos, e não importa quanta pressão colocam [no tratado], não irei assiná-lo”.

 

O governante considera também que não é possível aumentar os gastos comunitários, e reitera a ideia de um orçamento para a zona euro e um outro para os restantes Estados-membros da UE que não integrem a moeda única.

 

Uma UE, dois orçamentos

 

“Haverá uma altura em que penso que haverá a necessidade de ter dois tratados orçamentais – um para a moeda única, porque [os países da zona euro] vão precisar de se apoiar muito mais uns aos outros, e talvez um orçamento mais alargado para todos os países”.

 

Cameron admitiu a hipótese de um referendo sobre o papel do Reino Unido na UE, mas rejeitou a hipótese de uma única questão sobre a permanência enquanto Estado-membro. “Penso que a maioria das pessoas no Reino Unido não querem sair da União Europeia nem a aceitam como é neste momento. Querem mudá-la”.

 

Mais cortes em casa

 

Ainda na mesma entrevista à BBC, David Cameron refere, por outro lado, que o Reino Unido terá e cortar mais na despesa para reduzir o défice orçamental, que agora ronda os 8%.

 

O primeiro-ministro britânico reforçou a necessidade de efectuar cortes na despesa pública para travar o défice, o que poderá abrir caminho a novas medidas de austeridade. “Estamos perante um grande desafio e basta ligar a televisão e ver o que se está a passar na zona euro. Temos muitos países a cair em recessão, estes são tempos muito difíceis”, sublinhou Cameron, citado pela Reuters.

 

Questionado se o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, do Partido Liberal Democrata, parceiro na coligação governamental, tem razão quando diz que quem ganhar as eleições de 2015 terá de aplicar novas medidas de austeridade, Cameron respondeu: “Sim, ele tem razão e isso já está a acontecer porque será necessário reduzir a despesa em 16.000 milhões de libras para os anos de 2015/2016”.

 

No congresso do Partido Conservador, que se realiza neste domingo, Cameron procurará ver reforçada a liderança do partido, numa altura em que a popularidade parece diminuir.

 

De acordo com uma sondagem publicada pelo Sunday Times, o Partido Trabalhista, líder da oposição, conta com a opinião favorável de 45% dos inquiridos, enquanto os Conservadores obtêm 31% e os liberais democratas 8%.

 

UE quer acordo sobre o orçamento até final do ano

 

Os 27 países da UE têm vindo a discutir nos últimos meses o orçamento plurianual para 2014-2020. A primeira reunião, no final de Agosto, em Nicósia, Chipre, revelou grandes divergências entre os Estados-membros.

 

O objectivo, de acordo com fonte da presidência rotativa, agora a cargo de Chipre, é “fechar” um acordo até ao final do ano, designadamente na cimeira extraordinária de líderes europeus agendada para 22 e 23 de Novembro.

 

Os presidentes da Comissão Europeia, do Conselho, do Parlamento Europeu e da presidência rotativa da UE garantiram que vão desenvolver todos os esforços possíveis para que o orçamento comunitário para o período 2014-2020 seja acordado ainda este ano.

 

Durão Barroso, Herman van Rompuy, Martin Schulz e o Presidente cipriota, Demetris Christofias, divulgaram uma declaração conjunta, na qual defendem a necessidade de o futuro orçamento europeu “traduzir os objectivos gerais da UE em investimento concreto para o crescimento e emprego”.A 3 de Setembro, Van Rompuy convocou para 22 e 23 de Novembro uma cimeira extraordinária de líderes europeus, dedicada exclusivamente às negociações sobre o orçamento plurianual 2014-2020.

 

Em Junho de 2011, a Comissão Europeia apresentou uma proposta de 1083 mil milhões de euros de despesas para o período 2014-2020, o que corresponde a 1,11% do Produto Interno Bruto europeu e um aumento de 5% em relação ao período 2007-2013, contestado por países como o Reino Unido e a Alemanha.

 

Na altura, o presidente da Comissão, José Manuel Durão Barroso, sustentou que Portugal ficaria “nitidamente a ganhar” se os 27 aprovassem a proposta apresentada de enquadramento do orçamento da UE a partir de 2014, tendo também o Governo português considerado a proposta inicial de Bruxelas “positiva” e uma “boa base” para as negociações.

 

 

 

 

dn.pt

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