Coreia do Sul confirma acordo para extensão de alcance dos mísseis balísticos

7/10/2012 20:24 - Modificado em 7/10/2012 20:24
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O Governo da Coreia do Sul anunciou este domingo que chegou a acordo com os EUA para a extensão do alcance dos seus mísseis balísticos de 300 quilómetros para 800 quilómetros, o que significa que todo o território da Coreia do Norte ficará ao alcance dos mísseis de Seul.

 

“O principal objectivo do Governo na revisão das nossas directrizes sobre mísseis é dissuadir as provocações militares da Coreia do Norte”, declarou o responsável pelos assuntos externos e de segurança da Presidência da Coreia do Sul, Chun Young-woo.

 

Segundo os termos do acordo com Washington, Seul pode estender o alcance dos seus mísseis balísticos apenas se mantiver a carga útil de 500 quilos, embora este valor possa aumentar, em proporção, se a Coreia do Sul optar por desenvolver mísseis com um alcance inferior a 800 quilómetros.

 

O acordo entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos tinha sido avançado sábado pela agência Reuters, que citava uma nota do Departamento de Estado, mas só agora chegou a confirmação oficial.

 

Acordo pode motivar reacções do Japão e da China

 

A extensão do alcance dos mísseis balísticos era uma velha pretensão da Coreia do Sul. Ao abrigo de um pacto assinado em 1979 com os EUA – que mantêm no país 28.500 militares –, o alcance estava até agora limitado a 300 quilómetros, o que não é suficiente para abranger todo o território da Coreia do Norte.

 

A decisão poderá motivar reacções do Japão e da China, países que ficarão também ao alcance dos mísseis sul-coreanos, disse à Reuters Greg Thielmann, antigo funcionário do Departamento de Estado norte-americano.

 

Para Steven Hildreth, especialista em mísseis do Serviço de Investigação do Congresso dos EUA, a Coreia do Norte “poderá facilmente usar esta decisão como pretexto sempre que se sentir ameaçada”.

 

Regime de Controlo de Tecnologia de Mísseis

 

Este acordo poderá também pôr em causa o Regime de Controlo de Tecnologia de Mísseis (MTCR, na sigla em inglês), criado em 1987 e assinado por 34 países, e que limita o alcance dos mísseis balísticos a 300 quilómetros. “Autorizar que um país desenvolva mísseis com um alcance de 800 quilómetros, muito para além do limite imposto pelo MTCR, seria um erro enorme”, disse no sábado Greg Thielman, prevendo que a decisão agora anunciada possa abrir as portas para que outros países exijam o mesmo tratamento.

 

“Desde a sua criação, o MTCR tem conseguido abrandar ou impedir o desenvolvimento de vários programas de mísseis, dificultando a margem de manobra a possíveis compradores. A Argentina, o Egipto e o Iraque abandonaram o seu programa conjunto Condor II [iniciado após a Guerra das Malvina, em 1982]. O Brasil, a África do Sul, a Coreia do Sul e Taiwan também interromperam ou puseram fim aos seus programas. Alguns países da Europa de Leste, com a Polónia e a República Checa, destruíram os seus mísseis balísticos, em parte para aumentarem as suas hipóteses de passarem a fazer parte do MTCR”, lê-se no site da Associação de Controlo de Armamento, com sede em Washington, onde Greg Thielman trabalha actualmente.

 

O Governo da Coreia do Sul afirma que o arsenal dos vizinhos do Norte (que não integra o MTCR) inclui mísseis com um alcance de 3000 quilómetros, que podem atingir todo o território do Japão, onde os EUA também têm presença militar.

 

 

 

 

publico.pt

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