Ministro das Finanças: “Esta é a hora de incentivarmos e apoiarmos o sector privado”

5/05/2017 04:45 - Modificado em 5/05/2017 04:45
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O Ministro das Finanças considerou hoje que chegou a hora de “incentivar e apoiar” o sector privado, o que “obriga a uma mudança de atitude” do Estado e das instituições internacionais que nos últimos anos se relacionaram preferencialmente com o Estado.

Olavo Correia discursava na manhã de hoje, no Mindelo, na abertura do workshop sobre mecanismos e oportunidades de financiamento/investimento para o sector privado cabo-verdiano, em parceria com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

O Ministro aproveitou a ocasião para lembrar que o país viveu nos últimos anos muito ancorado na ajuda pública e no endividamento, modelo que “está esgotado”, pelo que há que encontrar um modelo diferente de promoção não só do desenvolvimento económico inclusivo, mas também ambientalmente responsável.

“Isto passa por um papel diferente do sector privado, mas as instituições internacionais vão ter de encontrar um novo foco de intervenção que é o sector privado”, declarou o Ministro, até porque, sintetizou, o BAD, nesta matéria, tem tido uma “intervenção irrisória”, com uma única intervenção junto do sector privado até ao momento, o que é “manifestamente insuficiente” para aquilo que é a ambição do Governo.

Por isso, Olavo Correia apelou aos responsáveis do BAD no sentido de financiarem o sector privado, porque, acrescentou, são as empresas que inovam, produzem, exportam e que competem à escala global.

“E se há instituição que merece um apoio/suporte da entidade pública ela é a empresa. Há que mudar o foco e procurar cada vez mais apoiar, incentivar e empoderar as empresas cabo-verdianas e aquelas que laboram a partir de Cabo Verde”, reforçou o Ministro.

Ademais, adiantou, na presença de duas representantes do BAD, que o Governo defende um “relacionamento diferente” com o sector privado e trabalha para “abrir ao máximo” o mercado de capitais, sendo ambição do executivo de Ulisses Correia e Silva “eliminar as barreiras” e ter, “num curto espaço de tempo”, a livre circulação de capitais entre Cabo Verde e o resto do mundo.

Por isso, pediu ao BAD para “olhar para o sector privado cabo-verdiano com carinho”, para que o país possa avançar, tendo nomeado as prioridades sectoriais, entre elas, o turismo, a agro-indústria, os transportes marítimos, a TIC, as energias renováveis, a água e o saneamento e ainda outros sectores de suporte ao sector empresarial nomeadamente na área financeira.

“Queremos ser um Estado parceiro que acredita no sector privado, pois a forma do país crescer é através do empoderamento do sector privado e temos de garantir financiamentos rumo ao emprego e rendimentos para a população”, concluiu Olavo Correia que alertou ainda o empresariado nacional para aproveitar as oportunidades que existem a nível do BAD, “o maior banco” de financiamento ao desenvolvimento em África.

A conferência do Mindelo teve a parceria da Cabo Verde TradeInvest cuja Presidente, Ana Barber, definiu a presença do BAD como oportunidade “muito importante” que vai permitir oferecer outras formas de financiamento ao sector privado e, assim, dinamizar a economia.

“Como parceiros do sector privado, tudo faremos para ajudar a encontrar e atrair outros investimentos e outras fontes de financiamento”, acrescentou Ana Barber.

Encontros do género já foram realizados nas ilhas do Sal e de Santiago e devem estender-se a outras ilhas até o final do ano.

O Banco Africano de Desenvolvimento é um banco multinacional de desenvolvimento, criado em 1964 tendo como membros 53 países africanos.

É financiado por 24 países europeus, americanos e asiáticos e a missão é fomentar o desenvolvimento económico e o progresso social em África.

 Inforpress 

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