Turquia diz que não invade a Síria

5/10/2012 01:03 - Modificado em 5/10/2012 01:03
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O primeiro-ministro turco colocou de lado um cenário de guerra, mas continuam as promessas de defesa absoluta do território da Turquia e dos seus cidadãos. O parlamento turco votou a favor de um hipotético envio de tropas turcas para a Síria.

 

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, garantiu que a Turquia “nunca estaria interessada em algo como começar uma guerra”. “As consequências da guerra estão visíveis aos olhos de todos no Iraque e no Afeganistão”, disse.

 

Ainda assim, o homem forte da Turquia disse que “a Turquia é um Estado capaz de defender os seus cidadãos e a suas fronteiras. Ninguém deve tentar testar a nossa determinição neste campo”.

 

As palavras de Erdogan vão ao encontro do que tem sido dito ao longo desta quinta-feira: a Turquia não pretende declarar guerra à Síria, mas fará tudo para se proteger a sua integridade territorial. Caso haja outro ataque semelhante àquele que matou cinco civis turcos numa aldeia na fronteira com a Síria, é possível que o exército turco avance para a Síria.

 

Foi para essa direcção que apontou a decisão do parlamento turco: foi votado que, se o Governo de Erdogan achasse necessário, seriam enviadas tropas para a Síria.

 

O vice primeiro-ministro turco, Besir Atalay, disse à Reuters que a prioridade da Turquia é agir em relação à Síria em conjunto com as instituições internacionais. Atalay disse também que a decisão do Governo turco “não é uma moção de guerra”.

 

Vários soldados sírios foram mortos na sequência de ataques levados a cabo pela Turquia, em resposta à morte de uma mulher e dos seus quatro filhos, perto da fronteira com a Síria.

 

As baixas do lado sírio são o resultado do bombardeamento de um posto militar na cidade de Tall al-Abyad, situado a alguns quilómetros de Akçakale e que terá sido recentemente capturado pelos rebeldes do Exército Livre da Síria aos militares leais ao Presidente Bashar al-Assad.

 

A informação sobre os soldados sírios mortos é avançada pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos que, no entanto, não avança com o número de vítimas mortais, segundo a BBC online e a Reuters.

 

O Governo de Ancara diz que a “agressão” no seu território é uma ameaça grave contra a segurança nacional e poderá solicitar a aprovação do Parlamento para a deslocação de tropas para lá das suas fronteiras, informa a Reuters.

 

“A Turquia não está interessada numa guerra com a Síria. Mas a Turquia é capaz de defender as fronteiras e irá retaliar quando for necessário”, escreveu, nesta quinta-feira, no Twitter Ibrahim Kalin, conselheiro de Erdogan. “Iniciativas políticas e diplomáticas vão continuar”, acrescentou.

 

O ataque sírio “desencadeou uma resposta imediata das nossas Forças Armadas […] que bombardearam alvos identificados por radar ao longo da fronteira”, dizia uma comunicado divulgado pelo gabinete do Governo turco, logo após a Turquia ter respondido ao ataque sírio com artilharia.

 

Diplomacia em alvoroço

 

Akçakale já tinha sido alvo de balas perdidas nos últimos dez dias. Tudo culminou nesta quarta-feira, quando uma casa foi destruída por mísseis disparados a partir da Síria, resultando em cinco mortos e nove feridos.

 

O incidente colocou o meio diplomático em alvoroço e o dia terminou com uma reunião de urgência da NATO, convocada pela Turquia sob o pretexto de a sua “integridade territorial estar sob ameaça”. O encontro dos embaixadores dos 28 países-membros em Bruxelas terminou com um comunicado onde a NATO apela à Síria a “pôr fim imediato às violações flagrantes do direito internacional”. “A Aliança continua a estar ao lado da Turquia e exige o fim imediato destes actos de agressão contra um aliado”, diz ainda.

 

Antes, o secretário-geral da NATO, o norueguês Anders Rasmussen, condenara “fortemente” o incidente. Rasmussen adiantou que não há qualquer intenção da NATO de intervir na Síria, mas disse que, se for necessário, a aliança militar está disposta a defender a Turquia de futuros ataques – a Turquia tem o segundo maior Exército da NATO, ficando atrás apenas dos EUA.

 

Este é o terceiro e mais grave episódio de tensões entre a Turquia e a Síria desde o início da revolta civil contra o regime de Assad, em Março de 2011. As relações entre a Síria e a Turquia têm caído vertiginosamente desde o início da revolta contra o regime do Presidente sírio.Se antes das revoltas árabes o primeiro-ministro turco era um forte aliado de Bashar al-Assad, com o início da contestação e com o intensificar dos conflitos armados na região, o homem forte turco abriu mão do seu aliado.

 

 

 

publico.pt

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