Dia do Trabalhador: Mais vale festejar do que protestar

2/05/2017 08:00 - Modificado em 2/05/2017 08:00
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O Dia do Trabalhador como um dia de reflexão da classe operária tem constituído em muitos lugares, um momento de reivindicação e de demonstração de união da classe dos trabalhadores. O Presidente do CCSL, Manuel Vaz, nestes dias, sublinha que aqueles que querem festejar, podem festejar” e não descarta o apoio àqueles que quiserem tomar outra decisão.

 

Em 2017 as centrais sindicais não convocaram os trabalhadores. Sem este chamamento, o dia foi utilizado para descanso e desconcentração. Uma extensão de um final de semana prolongado para recuperar da rotina do trabalho. Numa panorâmica laboral de Cabo Verde, a Secretária-geral da UNTC-CS afirma que o quadro clínico “não é dos melhores e aponta situações de despedimento colectivo como um dos factores que têm assombrado a classe trabalhadora”.

Os líderes sindicais, como parte do seu dia-a-dia, acompanham de perto a situação laboral. Mas os interessados, os trabalhadores, têm tido consciência do ambiente laboral que se vive no país. A consciência da importância do trabalho é uma realidade, mas existe um sentimento de desprotecção dos trabalhadores e o sentimento é que os trabalhadores têm perdido direitos nos últimos tempos.

“Não sinto que os trabalhadores estejam cientes dos seus direitos”, diz Emanuel Silva. Para este cidadão, as pessoas preocupam-se com o trabalho e com o rendimento e não prestam muita atenção ao resto. Esta ideia é apoiada por Sara Fortes que diz que com a preocupação das famílias em sustentarem a família e com a dificuldade de emprego no país, as pessoas prestam mais atenção ao trabalho que fazem e esquecem-se dos seus direitos.

O elogio vai para as classes que têm dado o passo de protestarem pelos seus direitos em vários momentos. Apesar desta união das várias classes, o sentimento é que as lutas devem levar à resolução dos problemas. “Vemos, por exemplo, os professores que há muito que protestam, mas não se vê a resolução completa dos problemas”, acrescenta Sara Fortes.

O dia um de Maio acaba por ser analisado como um momento de diversão, divergindo do propósito inicial para a comemoração do dia. Para este dia, as pessoas organizam passeios para praias e outros lugares. Para Ana Santos, as pessoas procuram divertir-se porque cansaram-se de lutar e não têm visto resultados. Carla Silva diz que o cenário laboral em Cabo Verde tem sido igual: “sempre os mesmos problemas”.

O ideal, segundo Adilson Duarte, seria que medidas fossem tomadas para a criação e a melhoria dos postos de trabalho. “Penso que o que é preciso para os trabalhadores é o aumento salarial, porque podemos ver que tudo está a ficar mais caro e os trabalhadores continuam na mesma situação”.

Apenas o aumento salarial poderá trazer o contentamento para algumas classes de trabalhadores. Uma nota é que em São Vicente o ambiente de trabalho se tem deteriorado. Com muitas pessoas a precisarem de trabalho há uma maior exposição aos abusos por parte dos empregadores”, adianta Sérgio Duarte. O mesmo sustenta que deve haver mais controlo para que as pessoas possam trabalhar sem preocupação e receber o que é seu por “trabalho”.

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