Cati Lima: uma Viking crioula no futebol islandês

28/04/2017 05:08 - Modificado em 28/04/2017 05:08
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Catarina Martins Sousa Lima, Cati, 18 anos, é uma menina que nasceu em São Vicente a 4 de Abril de 1999 e tinha um sonho. Um grande sonho: ser jogadora de futebol. E cedo começou a correr atrás do seu grande sonho. Aos cinco anos, começou a jogar na Academia de Futebol Carlos Alhinho. Mas só os meninos podiam jogar e como eram poucas as meninas, tinham de jogar com os meninos em equipas mistas. E isso não era fácil, como explica Cati: “Desde o início amava jogar à bola e sentia-me feliz enquanto estivesse no campo.

Às vezes, sentia-me diferente por ser a única menina no meio dos rapazes porque nem todos queriam falar comigo ou… passar a bola”. Enquanto viveu em Cabo Verde, não podia jogar os jogos porque só os meninos podiam jogar. E, como as equipas eram mistas, as meninas ficavam sempre de fora. Mas Cati tinha um sonho. Um grande sonho: ser futebolista. “As pessoas nunca levaram a sério o futebol feminino porque não tinham nenhuma razão para acreditar em nós. Eu sempre levei a sério porque o futebol sempre foi, literalmente, a minha vida”. Devido a essa discriminação, diz que “muitas vezes pensei em desistir. Porque não havia muito dinheiro para pagar a Academia; porque eu não podia ir ao Mundialito de Futebol, que se realizava no exterior enquanto que os meus amigos podiam; porque as outras meninas da minha escola falavam que eu era do ‘grup d’ome’ e me ignoravam como uma maria-rapaz”.

Quando saiu de Cabo Verde e começou a jogar só com meninas, fez uma descoberta importante: “Eu sempre pensei que a única razão pela qual eu não podia jogar era porque era fraca ou não sabia jogar bem. Foi quando descobri que as meninas não podem jogar com os meninos”. Quando saiu de Cabo Verde, foi viver na Florida, Estados Unidos, onde jogou com o Hunter’s Creek Soccer Club (2012-2016). Nesse clube, conseguiu elevar os seus níveis de jogo e condição física e chegou a ser capitã da equipa. Diz que “também joguei na escola, mas foi só um ano porque o nível era muito baixo”.

Em Agosto de 2016, Cati mudou-se para a Islândia, onde começou a treinar no Haukar. E aí começou a superar muitos obstáculos, físicos e psicológicos, para se tornar numa futebolista profissional. Assinou um contrato de dois anos com o Haukar mas foi emprestada por um ano para que possa ganhar experiência no futebol islandês.

Cati acredita que o seu sonho de ser profissional de futebol está prestes a se concretizar. Mas sabe que no futebol só o trabalho, o querer e saber aproveitar as oportunidades são as ferramentas para abrir as portas dos sonhos. Cati Lima sonhou numa época em que nenhuma menina nascida em São Vicente se atreveria a sonhar o sonho de ser profissional no futebol. Sentiu a descriminação por ser menina, jogou com meninos porque as meninas não tinham equipas para jogar. Mas Cati é uma guerreira. Uma Viking crioula na terra dos vikings, pronta para a batalha. Pronta para ser profissional e realizar o seu sonho porque os sonhos, se não forem concretizados, continuam a ser sonhos.

 

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