Chacina do Monte Tchota: Os familiares estão inconformados e mergulhados numa dor profunda

25/04/2017 04:52 - Modificado em 25/04/2017 04:52
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Completa hoje, 25 de Abril, um ano da chacina no destacamento de Monte Tchota, Concelho de São Domingos, ilha de Santiago, onde oito militares e três civis perderam a vida pelas mãos do soldado Manuel António Ribeiro, conhecido por Antany. A dor ainda consome os familiares que recordam com mágoa e profunda tristeza a morte dos seus entes queridos.

 

São eles os militares Nelson de Brito, da ilha da Brava, Anacleto Lopes dos Santos, Rosário Stephan Dias Lima ambos da ilha de Santo Antão, Marilson Adérito Delgado Fernandes, conhecido por “Bá”, 2º cabo, Adérito Silva Rocha, José Maria Correia Ribeiro, Mário Stanick Fernandes Pereira, “Pexi”, soldado fuzileiro e Wilson Ramos Mendes, da ilha de Santiago.

Danielton Monteiro, “Dani”, professor universitário natural da ilha de São Vicente, técnico que se encontrava a trabalhar na manutenção das antenas de telecomunicações e outros dois técnicos de manutenção de nacionalidade espanhola, Ângelo Martines Luís e David Sanches, são as onze vítimas do soldado Manuel António Silva Ribeiro, conhecido por Antany.

Os familiares estão inconformados e mergulhados numa profunda dor. Carla Patrícia diz que a sua vida não tem sido fácil sem a presença do marido Marilson Adérito Delgado Fernandes, conhecido por “Bá”. “Estamos ainda todos chocados”.

Felícia Varela recorda com tristeza a morte do sobrinho José Maria Correia Ribeiro, 2º cabo. Sem muitas palavras, a entrevistada diz que o “25 de Abril é uma data que recordamos com muita dor e mágoa. Só quem sofreu sabe a dor que sentimos”.

A irmã do fuzileiro Wilson Ramos Mendes, muito ressentida, não esconde a mágoa que sente e diz que recorda a dor como se fosse hoje, pois a dor que carrega no seu peito, não há dinheiro que lhe possa retirar e trazer o irmão de volta.

Por iniciativa das Forças Armadas de Cabo Verde, as vítimas serão hoje homenageadas pelas Forças Armadas com uma missa e com o descerramento de uma placa no Destacamento. Os respectivos familiares foram convidados a participar na homenagem. As deslocações dos familiares residentes fora da ilha de Santiago serão custeadas pelas Forças Armadas.

Manuel António Silva Ribeiro “Antany” considerado o único responsável pela morte de oito militares e de três civis, foi condenado à pena máxima de 35 anos de prisão tendo sido expulso das fileiras das Forças Armadas e ainda condenado a pagar uma indemnização de onze mil contos aos familiares das vítimas.

Contudo, os cabo-verdianos entrevistados não se contentam com o desfecho do caso Monte Tchota que resultou na condenação do soldado Manuel António Silva Ribeiro “Antany”. Os mesmos são unânimes em considerar que o caso merecia uma outra atenção por parte das autoridades do País, defendendo que “falta uma investigação mais séria e profunda”.

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