Ulisses: “Não existe risco de derrapagem”

20/04/2017 05:23 - Modificado em 20/04/2017 05:23
| Comentários fechados em Ulisses: “Não existe risco de derrapagem”

O PAICV e o Governo têm divergido de opinião quando se fala de análise de dados. Neste particular, a análise dos dados das contas trimestrais de 2016, os dois lados defendem as suas posições atirando a culpa para o outro. Os dados do desemprego foram analisados pelos dois lados com a mesma postura: a culpa é do outro e, neste caso concreto, não se fugiu à regra.

O PAICV foi o primeiro partido a analisar as contas trimestrais de 2016 e sublinhou os indícios de risco de derrapagem orçamental. Neste ponto, a crítica ao Governo baseia-se no facto de ter recorrido ao endividamento interno para financiar o deficit orçamental. Isto porque, segundo a Presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, “fecha portas ao sector privado, mormente numa altura em que o Governo do MpD já emitiu títulos da dívida pública por mais de 14 milhões de contos, obrigações do Tesouro e bilhetes do Tesouro, contra os cinco milhões de contos de financiamento externo concecional”.

Para o PAICV, se o Governo pretende demonstrar que houve redução, não cabe a verdade. Diz que o facto tem a ver com a baixa taxa de execução do programa de investimento público. “Não há memória do último ano em que a taxa de execução foi tão baixa no Programa de Investimento Público”.

O Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, de visita a São Vicente, em declarações à imprensa firmou a posição e não foi de estranhar que foi contrária à que o PAICV tinha enumerado. E atira as culpas para o governo do PAICV ao afirmar que tudo de mau que influenciou o quadro macroeconómico de 2016 foi da total responsabilidade do PAICV.

Para Correia e Silva, a líder do PAICV responsabiliza o Governo por aquilo que o anterior governo deixou. E diz ainda que o Governo está a concertar o legado que foi deixado, com a intenção de melhorar o ambiente de negócios. E neste ponto frisa a redução do deficit orçamental.

O PAICV e o Governo não se têm entendido nos dados estatísticos do país, principalmente nos que dizem respeito ao ambiente económico. Neste sentido, Ulisses Correia afirma que não serão os quatro meses em que exerceu funções em 2016 que irão influenciar o agravamento da situação económica do país. Para Correia e Silva, o MpD tem melhorado o ambiente. E as afirmações da oposição são no sentido de fugir às responsabilidades da herança que o Governo recebeu.

“Adoptamos medidas muito concretas que estão espelhadas no Orçamento de 2017, de alívio fiscal, reembolso do IVA, que não se fazia anteriormente. O quadro é diferente do que existia na governação do PAICV”, concluiu o Primeiro-ministro.

Pode-se dizer que a matemática é uma ciência exacta, menos na política.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.