Isenção de vistos: falta de informação preocupa

18/04/2017 07:39 - Modificado em 18/04/2017 07:39
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A discussão sobre a isenção dos vistos a cidadãos europeus para entrar no país continua a originar comentários. Indiferente aos comentários o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, afirma que a medida é para avançar. E espera que entra em vigor a partir de Maio. Os partidos políticos já manifestaram sua posição.

A falta de informação sobre a medida, e o facto de ainda não haver explicação “em concreto” sobre o assunto, aliada a alguns receios, entrevistados do NN demonstram relutantes sobre a medida.

“Há medidas que, anunciadas descuidadamente ou sem uma boa comunicação, surgem como sem sentido ou inadequadas de todo; explicadas, contextualizadas, pela via de uma eficiente comunicação, podem reaparecer como aceitáveis ou razoáveis”. Está afirmação é retirada de um post do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, num post nas redes sociais.

A medida foi anunciada por Ulisses Correia e Silva, e “se explicasse como vai proceder, e não deu nenhum detalhe sem nada”, como sugere Paulo Barros. A medida tem sido contestada e uma das razoes é a falta de informação. “Todos precisam saber o que está a passar no país” como diz Júlio Ramos. Mesmo sabendo a medida não satisfaz.

Sem usar o termo, mas das entrevistas fica patente a questão da reciprocidade, ou seja, “se eles podem vir porque não ir também”. E esta questão da entrada livre, também levanta a questão da segurança.

“Nunca a Europa iria deixar que as pessoas entram livremente, então porque nós temos que fazer? Temos que ter controle no nosso país”. Este argumento de Sidnei Silva é apoiado por Manuel Delgado quando afirma que não podemos expor país assim. E chama a atenção que pode vir para o país quem quiser, e mostra preocupação sobre as intenções de quem vai entrar no país.

“Cabo Verde precisa de mais controle nas fronteiras”, argumenta Ana Santos, sublinhando que não precisa ser desta forma. E ainda acrescenta a igualdade de tratamento entre os dois lados, e neste sentido questiona os benefícios que o país terá com a medida.

Ainda que relutante com medida Steven Andrade diz que há muito tempo que o país já é assim, “entrando quem quiser”. 

Do mesmo modo, há reações que, num primeiro momento, suscitam a adesão pronta, emocionada e entusiástica de muitos; porém, num momento outro de mais reflexão, correm o risco de se traduzir numa envernizada e inconsistente imprudência ou precipitação.

Tudo o que aponta para a importância de uma cuidada, inteligente e eficaz comunicação. Para uns e outros.

– Uma curiosidade: há pessoas que, durante o período colonial, não se prestaram a contribuir para a afirmação da independência nacional, nem sequer de forma simbólica. Acomodaram-se na indiferença ou, nalguns casos conhecidos, no outro lado da barricada; hoje, dezenas de anos após a libertação, mostram-se de um “anticolonialismo”, de um ” nacionalismo” feroz, quase incendiário. A final, um «nacionalismo» radicalizado, mas amiúde ridiculamente serôdio.

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