FMI teme efeitos do proteccionismo de Trump

17/04/2017 09:38 - Modificado em 17/04/2017 09:38
| Comentários fechados em FMI teme efeitos do proteccionismo de Trump

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu esta segunda-feira em alta a sua previsão de crescimento para a zona euro e os Estados Unidos, mas diz que a economia mundial continua a correr o risco de ser prejudicada pelo ressurgimento de políticas proteccionistas e por um recuo mais rápido do que o previsto das políticas expansionistas dos bancos centrais. Países como Portugal, com um elevado nível de endividamento público e privado, poderão estar entre os mais afectados.

 

Na actualização trimestral das suas projecções para as maiores potências económicas mundiais (não são feitas novas previsões para Portugal), a entidade sedeada em Washington manteve uma previsão de crescimento do PIB do globo de 3,4% em 2017 e 3,6% em 2018, uma aceleração face aos 3,1% de 2016.

No entanto, se em relação aos países emergentes há uma ligeira deterioração das expectativas, no que diz respeito às denominadas “economias avançadas”, a aceleração registada no final de 2016, fez com que as previsões para o presente ano melhorassem ligeiramente. Para a zona euro, o Fundo prevê agora que a economia cresça 1,6% em 2017, quando há três meses, apontava para 1,5%. Nos Estados Unidos, a previsão passou de 2,2% para 2,3%.

Os responsáveis do FMI fazem questão, no entanto, de não traçar um cenário demasiado optimista no relatório publicado esta segunda-feira. E repetem por diversas vezes o aviso: o caminho a percorrer pela economia mundial nos próximos anos está repleto de dúvidas e incertezas.

A principal incerteza chama-se Donald Trump. O Fundo assume que não sabe neste momento o que é que o futuro presidente dos Estados Unidos irá ao certo fazer, afirmando que “existe uma grande dispersão de resultados possíveis em torno das projecções, tendo em conta a incerteza que rodeia as opções políticas da futura administração norte-americana e as suas ramificações globais”.

Os riscos existem, tanto pela negativa pela positiva. Por um lado, o Fundo diz que a economia mundial (e principalmente a norte-americana) até pode crescer mais se o plano de estímulo orçamental anunciado por Trump se concretizar de uma forma mais intensa do que aquela que é neste momento assumida.

Mas, por outro lado, é revelada uma grande preocupação com aquilo que é identificado como “crescentes pressões proteccionistas”. Donald Trump tem assumido de forma clara nas suas intervenções públicas que irá colocar entraves à entrada de produtos vindos de países como o México, o Japão e principalmente a China. O FMI diz que “maiores restrições ao comércio mundial e às migrações podem prejudicar a produtividade e os rendimentos, afectando de forma imediata a confiança nos mercados”.

 

publico.pt

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.