JMN: “não faz nenhum sentido a isenção unilateral de vistos aos cidadãos da União Europeia”

13/04/2017 07:58 - Modificado em 13/04/2017 07:58

José Maria Neves, antigo Primeiro-ministro que esteve 15 anos a governar o país, critica a medida do MpD em isentar unilateralmente os europeus do visto de entrada em Cabo Verde e através das redes sociais escreve o que intitula de “Prismas, Isenção de Vistos” considerando, na sua humilde opinião, essa medida como absurda, uma vez que a mobilidade de pessoas entre Cabo Verde e a União Europeia se deve enquadrar na Parceria para a Mobilidade que estava a ser construída com base na Parceria Especial.

Post do antigo 1º Ministro de Cabo Verde:

“Quando, com as autoridades europeias e a rede de personalidades, universidades, partidos políticos, parlamentares e organizações da sociedade civil iniciámos a discussão da Parceria Especial Cabo Verde – União Europeia, a ideia central foi ultrapassar os limites da ajuda e galgar um novo patamar de relacionamento estribado numa verdadeira parceria e numa perspectiva win-win.

Para mim ficou muito claro, desde a hora zero, que a Parceria só faria sentido se Cabo Verde estivesse devidamente ancorado na CEDEAO. Aliás, a importância geoestratégica de Cabo Verde passa pela sua inserção activa na Região Oeste Africana. Esta é a pedra basilar do nosso relacionamento com a Europa e o Mundo.

Fiquei pois, estupefacto, quando ouvi que o Governo vai isentar unilateralmente os europeus do visto de entrada em Cabo Verde. Na minha humilde opinião, trata-se de uma medida absurda, que não faz nenhum sentido. Nem os europeus, eventualmente apanhados de surpresa, entenderão esta medida.

A mobilidade de pessoas entre Cabo Verde e a União Europeia deve-se enquadrar na Parceria para a Mobilidade que vinha a ser construída com base na Parceria Especial. O objectivo era conseguir que empresários, escritores, músicos, jornalistas, etc., tivessem facilidades de visto e, gradualmente, ir alargando as mesmas facilidades a outros segmentos da sociedade até se atingir, a prazo, a livre circulação, com ganhos mútuos para a Europa e Cabo Verde, pois trata-se de uma Parceria.

Cabo Verde deveria também ir trabalhando outras parcerias, designadamente com os Estados Unidos e o Mercosul.

Salvo melhor opinião, não faz pois nenhum sentido a isenção unilateral de vistos aos cidadãos da União Europeia. Nem os amigos europeus de Cabo Verde vão entender tal medida, nem os cabo-verdianos que passam por enormes agruras para conseguirem um visto para qualquer país europeu.

Por outro lado, não podemos desprezar uma importantíssima fonte de receitas que podem ser superiores a 20 milhões de euros ano e que vão aumentando à medida que cresce o número de turistas, para depois ir pedir ajuda orçamental aos europeus ou perdão da dívida.

Medidas desta natureza requerem uma cuidada ponderação e um amplo consenso entre os partidos políticos e entre a sociedade política e a sociedade civil”.

  1. Adérito Fernandes

    Entrou na política activa. Sómente que esqueceu-se de muitas coisas que ele mesmo assinou. Agora não há dúvidas é candidato do PAICV ás presidenciais de 2021. Tudo o que ele disse aquando da apresentação da Fundação foi pela água abaixo. Ele é mesmo partidário e a Fundação também é.

  2. Maria Fortes

    Já é tempo de acabarmos com o acolhimento de doentes, os chamados evacuados para Portugal. Já temos os nossos problemas com hospitais superlotados e infra-estruturas deficientes.
    Já é tempo de acabarmos com as doações para Cabo Verde, País pobre que nem tem onde cair morto, mas que vive à grande e à francesa, pelo menos uma faixa considerável das suas classes políticas e elites. Temos também os nossos problemas econômicos e financeiros.
    Já é tempo de estancarmos a entrada desenfreada de cabo-verdianos na Europa e que os mesmos se dirigem rumo aos “paraísos” africanos da CEDEAO.
    Já é tempo para a Europa acordar e dizer não a esses ingratos, diariamente batendo-nos à porta mendigando por tudo e por nada. Os seus cidadãos, claro que falo de cidadãos europeus, já estão fartos de contribuírem para com o orçamento gordo de Cabo Verde cada vez mais deficitário e não só.
    Já é tempo enfim para a Europa dizer aos ingratos cabo-verdianos, felizmente nem todos, BASTA!
    Então a cantiga será outra, o discurso será outro e talvez será bastante tarde.

  3. joaquim delgado

    Muita gente, por despeito, ou também “raiva”, pode dizer “fca na bo lugar sossegod..oh palerma…, mas eu, na minha modesta opinão e raciocínio, alinho a 1000% com o Dr. José Maria Neves, na análise que fez deste assunto, bastante melindroso para todos nós por cá. Pelo que se sabe, para os “cristons” ou “pés ratchados”, obter um visto de entrada num país europeu, custa e muito, na maioria das vezes, pelas exigências das embaixadas e papelada que pedem, só fica a faltar a CERTIDÃO DE ÓBITO, enquanto que para os governantes e “acompanhantes”, portadores de passaportes diplomáticos e de serviço, tudo não passa de um mar de rosas…isto tudo sem mencionar que esta medida “unilateral”, poderá servir para que nos “despejem” toda a “escumalha” e “personas non gratas”, em abundância por aí, ou que venhamos a servir de plataforma para a elaboração de “atentados”, etc, etc…

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