Marcelo condecora Cônsul que fez mais pelos cidadãos no Mindelo do que Portugal

11/04/2017 08:19 - Modificado em 11/04/2017 08:19

Marcelo condecora Cônsul que fez mais pelos cidadãos no Mindelo do que Portugal 

Crónica 

O Presidente da República Portuguesa vai condecorar hoje  a Cônsul Honorária de Portugal no Mindelo, Rosália Vasconcelos, a quem atribuirá uma comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Mas nesta hora, é preciso dizer que Rosália Vasconcelos, que desempenhou ao longo de mais de vinte e cinco anos essas funções, fez mais pelos cidadãos portugueses residentes no Mindelo e pelos nacionais que procuraram os serviços consulares, do que Portugal fez ou deveria ter feito. E não vamos falar das condições degradantes onde funcionava o Consulado quando assumiu o cargo. Também da falta de pessoal e das condições de trabalho. Dona Rosália, com o seu carácter e a vontade de resolver todos os problemas que se lhe colocavam, mesmo os que não podia resolver, tentou sempre encontrar uma solução, mesmo quando não havia. A Cônsul era maior que o País que lhe deu o cargo. A Cônsul foi a solução de muitos problemas que Portugal criou no atendimento desumano que caracteriza os seus serviços consulares em Cabo Verde  . Dona Rosália humanizou um Consulado que só colocava problemas aos cidadãos portugueses e, em particular, aos nacionais que tinham de procurar os seus serviços. Não vamos falar da humilhação das condições impostas para se conseguir um visto, não vamos falar do tempo absurdo para um cidadão português conseguir um BI, não vamos falar das filas intermináveis nas escadas do Consulado, das pessoas na rua sem conseguirem chegar ao balcão de atendimento. Não vamos falar porque não vale pena e porque a Dona Rosália no seu frenesim constante disfarçou e foi melhorando o que não deveria ser ela a resolver. Até o que para ela não havia solução. Não vale a pena porque vou ilustrar o que digo com um história verídica. O conto vai atrás para dizer que sou cidadão português, nascido em Chã de Alecrim , neto de portugueses, mãe portuguesa, vivi 25 anos em Lisboa, tenho quatro filhos nascidos na freguesia de Santos-o-Velho, prestei serviço militar no Regimento de Comandos da Amadora com o número mecanográfico 193 393 393 / 81 e sou sócio do glorioso Benfica. O conto vai à frente. Em 1998 casei-me com uma cabo-verdiana, da Graça, neta de portugueses e ela, de acordo com a lei, solicitou a nacionalidade portuguesa pelo casamento. Metemos todos os documentos e mais alguns que solicitaram. E quando pensámos que já tínhamos entregue todos, eis que a Cônsul me chama e diz: “Enviei os documentos mas dizem que falta uma prova que a sua senhora convive ou conviveu com a comunidade portuguesa”. Para isso, tínhamos que apresentar provas como recibos de luz ou de rendas pagas em Portugal, porque isso mostrava a ligação da minha mulher à comunidade portuguesa e, por via de recebidos pagos, ficava demonstrada a sua ligação à comunidade portuguesa e ganhava o direito a ser portuguesa. Era uma humilhação. Ridículo. E aí eu disse à Dona Rosália: “Mas sendo eu português e sendo ela minha mulher, ela senta-se à mesa comigo e com os meus filhos todos os dias, e vemos televisão juntos e depois dormimos juntos, isso não é prova da sua ligação a elementos da comunidade portuguesa? Está relação não serve ? , mas um recebido de luz que não podemos ter porque não vivemos em Portugal serve ?”. E a Cônsul respondeu: “sabe uma coisa? Escreva uma carta a explicar o que me disse”. Escrevi a carta. Não sei o que a minha Cônsul disse aos responsáveis e aos seus superiores que tinham a missão , com base em recibos de renda de casa e da EDP, decidir quem deve ser português quando ja o somos sem o ter pedido  para ser , mesmo nascendo em Chã da Alecrim ou Garça..

O que sei é que a minha mulher obteve a nacionalidade a que tinha direito por lei e sangue sem a humilhação de arranjar recebidos falsos para se provar que tem ligação a Portugal.

Essa é uma das muitas histórias de uma Cônsul que foi maior que o país que representava. A Ordem do Infante D. Henrique cai bem à nossa querida Dona Rosália. Mas é um gesto de afecto de um Presidente que quer ser o presidente dos afectos e por isso distribui  afectos  a granel.Mas a melhor forma de homenagear a Cônsul é criar condições para que os cidadãos nacionais e os portugueses sejam condignamente tratados nos serviços consulares em Cabo Verde. E já agora , se não for pedir muito, solicitar que os serviços consulares portugueses nos tratem com…afecto.

Eduino Santos  

  1. CARLOS DUARTE LOPES

    POIS COMIGO ACONTECEU A MESMA COISA. MAS NÃO TIVE SORTE. SOMOS FILHOS DE MESMO PAI E MESMA MÃE. TODOS NÓS JÁ TEMOS A NACIONALIDADE PORTUGUESA. TODOS OS MEUS SOBRINHOS JÁ TÊM NACIONALIDADE PORTUGUESA. MAS NÃO DERAM AOS MEUS DOIS FILHOS NACIONALIDADE PORTUGUESA PORQUE NÃO ACEITARAM AS MINHA PROVAS DE AFECTIVIDADE Á COMUNIDADE PORTUGUESA. JÁ GASTEI MILHARES DE EUROS COM ADVOGADOS E AINDA NADA. SERÁ QUE EXISTE DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS NA ATRIBUIÇÃO DA NACIONALIDADE POR PARTE DOS REGISTOS CENTRAIS PORTUGUESES.

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