Taxa de desemprego: os pontos da discórdia

6/04/2017 08:08 - Modificado em 6/04/2017 08:08
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Os últimos dados sobre o emprego vieram a confirmar que o MpD e o PAICV, não se entendem quando se trata da análise de dados. Os dados publicados pelo INE sobre o emprego no país têm afastado os dois partidos e as suas interpretações sobre os mesmos dados não têm coincidido. Os mesmos pontos têm tido leituras diferentes e não se têm encontrado pontos de conversão entre as leituras dos dados.

Apesar dos dados serem os mesmos, as interpretações são diferentes. Os dados vêm num momento particular depois da mudança de Governo e de um ano em funções do novo Governo. Todavia, os argumentos são diferentes mas não diferem dos mesmos argutos utilizados pelos dois partidos na leitura de dados, tendo em conta a posição quando o PAICV estava no governo e o MpD na oposição. A UCID, desta vez, optou por não culpar nenhum dos dois partidos pelos dados.

O emprego tem sido uma das grandes preocupações da população. Os dados afirmam que o desemprego aumentou de 12,4 porcento para 15 porcento. O emprego jovem aumentou de 28,6 porcento para 41 por cento.

Os pontos da discórdia

Para o MpD, pela primeira vez na história do país, há mais de duzentos mil cabo-verdianos activos no mercado do trabalho. E põe a tónica no aumento desta população activa, pois mesmo que a taxa de desemprego tenha aumentado, é inferior às taxas verificadas nos anos passados, entre 2012 a 2014.

O MpD mostra alguma satisfação com os dados do INE. E para sustentar este aspecto diz que os cabo-verdianos acreditaram neste Governo e, neste sentido, começaram a procurar emprego e, muitos encontraram. O aumento do emprego, para este partido, reside no facto da população activa ter aumentado mais do que o aumento do emprego.

A leitura do MpD é posta em causa pela leitura, dos mesmos dados, por parte do PAICV. Este partido foca-se na questão do aumento do desemprego para demonstrar o desalinhamento das promessas de campanha do partido no governo. Se o MpD vê o lado positivo das políticas do Estado na leitura dos dados do emprego, já o PAICV manifesta preocupação com os dados e aponta o desemprego nas camadas mais jovens como o motivo da preocupação.  

Enquanto o MpD vê o aumento da população activa como a causa do aumento do desemprego, isto é, uma nova esperança dos que saíram para procurar emprego, o PAICV vê outro aspecto neste dado: um sinal da ineficácia das políticas e medidas do Governo em relação ao tema.

Este quadro poderá ser interpretado como um sinal claro da ineficácia das políticas e medidas deste Governo em matéria de criação de emprego. Apesar da mensagem de esperança por parte do MpD, às quais seguirão medidas para melhorar o ambiente de negócios, apoiar o tecido empresarial nacional e o investimento directo estrangeiro, o PAICV segue outra linha de pensamento.

Na sua perspectiva, é uma situação preocupante que dá indicações para o Governo corrigir o rumo e ajustar os passos, no sentido de cumprir as promessas de campanha.

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