NOVO BANCO: o balão de ensaio de Cristina e JMN explodiu e agora?

13/03/2017 08:03 - Modificado em 13/03/2017 08:03

Muitos, em especial as pessoas da oposição, torceram o nariz quando em 2010, em contexto de pré-campanha eleitoral, o Primeiro-ministro José Maria Neves e a Ministra das Finanças decidiram parir o Novo Banco. E sacando da cartilha social que JMN lia nas horas vagas, enquanto nas horas de trabalho transformava o PAICV num partido de centro direita, anunciou que a criatura que chamou de Novo Banco estava “vocacionada para a economia social e para o microcrédito, com uma estrutura que deveria ser pequena e barata”.

Pouco antes, a Ministra das Finanças anunciava que “a instituição, além de combater a exclusão financeira, teria por objectivo apoiar as instituições vocacionadas para a economia social e conceder crédito aos serviços técnicos para as actividades empresariais com projectos que contribuíssem para a economia social e para o desenvolvimento económico sustentado de Cabo Verde”. Como se sabe, nenhum desses objectivos foi cumprido. O Novo Banco acabou com a inclusão financeira do mesmo modo que programa Casa para Todos  deu casa para todos. E o saldo é um projecto ruinoso para o Estado de Cabo Verde com prejuízos que ultrapassam os 818 mil contos.

Os números do negócio não deixam caminho para a politização e partidarização deste caso que vamos assistir nos próximos tempos e que a moda cabo-verdiana visa deixar a culpa morrer solteira, como sempre. Mas vamos aos números publicados num artigo do Expressodasilhas:

“Nos finais do primeiro semestre de 2016, o Novo Banco tinha concedido cerca de 2,2 milhões de contos de crédito aos clientes, dos quais apenas 209 mil contos sob a forma de microcrédito, ou seja, 9,4% do total.

É igualmente revelador que o Novo Banco tenha, no final do primeiro semestre de 2016, um dos níveis mais elevados de crédito vencido do sector bancário, cerca de 18% (399 mil contos) do crédito total aos clientes. Ou seja, num curto espaço de tempo (2010-2017) o Novo Banco atingiu um nível de incumprimento praticamente igual ao dos outros bancos que já estão na praça há muito mais tempo.

A evolução do crédito concedido pelo Novo Banco foi também algo atípica, dado o contexto negativo do sector bancário. Entre Junho de 2015 e Junho de 2016, o Novo Banco concedeu mais de 374 mil contos de crédito, principalmente a particulares (247 mil contos) que corresponde a um acréscimo de 20%, num contexto em que todos os restantes bancos foram muito selectivos na concessão de crédito, precisamente devido ao peso do crédito vencido e não pago e à morosidade da economia.

Enquanto o Novo Banco atribuía mais crédito, aumentava aceleradamente o número dos que deixaram de pagar as dívidas. Entre Junho de 2015 e Junho de 2016, as dívidas vencidas e não pagas aumentaram de 40% (+ 114 mil contos), dos quais 84 mil contos (+60%) correspondem a dívidas vencidas e não pagas por particulares. Dificilmente se encontrará outra instituição financeira que tenha tido este desempenho algo anormal: crescimento de 20% na concessão de crédito e simultaneamente um aumento de 40% de crédito vencido e não pago. A maior parte do aumento do crédito não pago pelos particulares (+82 mil contos, +57%) ocorreu entre Janeiro de 2015 e Junho de 2016″. 

  1. Francisco Andrade

    O governo anterior devia ser responsabilizado pelas dividas que o Novo Banco deixou ao povo de Cabo Verde. Digo povo..porque quem é prejudicado é o contribuinte.

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