“Mor, vou pousar Nua”, uma peça sobre a nudez, ou talvez não

10/03/2017 08:13 - Modificado em 10/03/2017 08:13
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Arranca hoje, sexta-feira, 10, Março – Mês do Teatro com a estreia da peça “Mor, vou pousar Nua”, uma produção do grupo de teatro Somá Cambá. Com encenação do jovem mindelense Péricles Silva, com os actores Neilor Fonseca e Vânia Luz. Estará em cartaz também no sábado, dia 11 de Março, sempre no Centro Cultural do Mindelo.

“Uma actriz a caminho do sucesso, uma mulher inteligente, divertida e desbocada, e o marido um homem simples como qualquer outro, ligeiramente atrapalhado e inseguro, mas apaixonado pela mulher”, é a história da peça com dois actores que, por coincidência, ou não, namoram na vida real.

Péricles Silva, 22 anos, conta que o texto começou como uma adaptação de uma obra, mas que à medida que se ia desenvolvendo, mudou completamente de rumo e passou a ser uma peça de improvisação dos actores durante os ensaios. Um deles, Neilor Fonseca, saiu de uma formação do grupo Somá Cambá e, desejoso de trabalhar com o grupo, apresentou uma ideia de uma peça e, a partir daí, “começámos a trabalhar e, esta sexta-feira, vamos apresentar o produto final”, refere.

Em relação aos ensaios, afirma que estão a decorrer normalmente e acredita que o público irá gostar deste mais novo trabalho do Somá Cambá. Questionado sobre se o que tem visto durante os ensaios e o que tinha imaginado para a peça coincidem, o jovem actor e encenador diz que muita coisa mudou, o que considera normal, isso porque, “nem sempre o que é encenado fica na íntegra, mas tem sido um trabalho formidável”, assegura.

Este não é o primeiro trabalho de encenação do jovem que reside em Ribeirinha e que também sobe aos palcos. O seu primeiro contacto com o palco relembra, foi na secundária, no dia do seu aniversário e, desde então, nunca mais parou.

Já encenou diversas peças para o grupo, mas o que mais marcou a sua curta carreira, foi “A chegada”, isso porque conseguiu trabalhar em perfeita sintonia com os actores e estes sempre responderam da melhor forma às expectativas.

Noticias do Norte – Qual é o maior desafio de um encenador?

Péricles Silva – O maior desafio de um encenador é o trabalho com os actores, transmitir a visão daquilo que queremos e pretendemos.

NN – Já actuou numa peça cuja encenação esteve ao seu cargo?

P.S – Nunca. Porque não consigo e não acho correcto. Não terei uma visão sobre aquilo que quero. Gosto de trabalhar com uma visão de fora. Para representar, sou simplesmente actor, porque sei que a pressão que estarei a fazer como responsável pela execução da peça é aquilo que me move e, é disso que gosto.

NN – O que mais o encanta no teatro?

P.S – A iluminação e a cenografia, algo que veio desde criança, mas que dantes não estava ligado ao teatro, mas com o tempo, começou a fazer parte do universo que estou inserido.

NN – Como é que o teatro o faz sentir?

P.S – O teatro faz-me sentir livre. Em cima do palco sinto-me livre para me expressar dentro dos limites aceitáveis, mas sinto esta liberdade.

NN – Como é que gostaria que as pessoas sentissem o teatro?

P.S – Gostaria que as pessoas parassem de criar o estigma de que o teatro é simplesmente comédia. Aqui no Mindelo, tem-se assistido a uma onda de teatro, mas as pessoas querem-se sentar e assistir a uma peça que as faça rir, não queremos apenas isso. Muitas vezes, trazemos espectáculos cuja peça é um drama, não riem e ouço muito, o “não gostei”.

Teatro não é só comedia esta é uma vertente dela. E os grupos não têm feito muita coisa para mudar isso.

NN – Como assim?

P.S – Há uma falta de união entre os grupos, actualmente têm-se assistido uma série de conflitos entre grupos e isto não é saudável para o ambiente teatral que estamos a construir com esta nova geração. Quem se interessa é o público e não o actor porque sem ele, a peça não faz sentido. Estão a assistir e querem ver um trabalho com conteúdo.

Em primeiro lugar, os grupos deveriam, através dos líderes, trabalhar sobre um sistema com liberdade de expor ideias entre os elementos. E cada grupo deve respeitar os trabalhos dos outros. Tem havido uma separação entre os grupos mais antigos e os mais novos, não sei explicar o porquê, mas parece que é isso que está a acontecer.

NN – Influências ou referências do teatro que o influenciaram

P.S – Um deles chama-se Rudson, é uma das referências por ter entrado no mundo do teatro, o que aconteceu no 8º ano de escolaridade, quando frequentava a escola Salesiana. Elton Delgado, também é uma das influências, gosto de aprender com ele e outros elementos do grupo, nomeadamente “Moses”.

NN – Viver do teatro.

P.S – Ninguém consegue viver das artes em Cabo verde, e teatro pior ainda.

NN – Uma expressão que defina a vossa peça?

P.S – Definir o espectáculo por uma expressão, não convém muito, porque quando fazemos isso, o público pode criar uma certa expectativa, uma ideia diferente da peça e não é o que queremos. Queremos que sejam surpreendidos.

O grupo Somá Cambá é ainda responsável por mais três produções que fazem parte da agenda do Março – Mês do Teatro, nos dias 17 e 18 com a peça “A Noiva Virtual”, 30 e 31 “Eu Já Fui Assim” e nos dias 1 e 2 Abril, com “Ponto G”.

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