Violência policial: Mindelenses consideram que medidas do governo ajudam a por fim a impunidade

10/03/2017 08:09 - Modificado em 10/03/2017 08:09
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Os agentes da polícia de serviço aquando da morte de Hélder Delgado na esquadra tiveram como medida a suspensão. Medida aplicada aos agentes mas que o sindicato já veio mostrar a sua preocupação pelo facto dos agentes, para além de suspensos, foram desarmados, o que o sindicato acredita que pode colocar em perigo os referidos agentes. Não foi a única medida visto que o Ministério Publico está a fazer diligências no sentido de recolher subsídios sobre a morte do jovem e que pode levar os agentes à cadeira de réu.

O Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, por seu lado, espera terminar com o sentimento de impunidade em relação às forças da polícia. Neste sentido, anuncia uma averiguação noutras esquadras da polícia, como forma de fazer um levantamento e evitar casos de impunidade em relação aos agentes da polícia.

Casos de pessoas que denunciam o uso excessivo da força por parte das forças da polícia têm acontecido com regularidade. E, ao que pode ser constatado através de algumas entrevistas, o sentimento é real. Apesar do sentimento de importância do trabalho das forças policias, e da sua necessidade para manter a ordem e segurança, a sensação que exageros são cometidos quando lidam com as pessoas, “e muitas vezes em serviço ou não”.

“Eu não digo que todos os polícias exageram mas, às vezes usam força sem necessidade”, como diz Kevin Santos. Para este cidadão, não se pode tirar a importância da polícia, mas esta pode agir de forma diferente em diversos casos. E não é o único a pensar numa maior moderação da actuação dos polícias, principalmente com os jovens. “Eles fazem um bom trabalho, mas quando ouvimos histórias de pessoas que foram agredidas, ou algo do tipo, podemo-nos preocupar”, sublinha Adilson Évora.

O apelo, no entanto, é à moderação. “Às vezes, vê-se quando somos abordados nas ruas, os polícias costumam ter uma atitude de intimidar as pessoas, prometendo pauladas, mas somente por falar”, como diz outro cidadão, Flávio Fortes. Ele diz que já presenciou várias vezes. E sobre o caso que levou a morte do jovem diz que “ninguém sabe, às vezes o que acontece nas esquadras”.

Sobre o último caso verificado e com o seguimento dado pelo Ministério Público, e com a averiguação de situações noutras esquadras, é bem visto. Por exemplo Steven Neves diz que é preciso fazer algo, “não somente para punir, mas também para uma mudança de atitude”. O objectivo é a segurança de todos, “mesmo que tem de ser da atitude de algum elemento da força policial”. Estas medidas para os entrevistados podem vir a melhorar o sentimento de que a justiça se preocupa com as pessoas, e que vai ajudar a diminuir o sentimento de impunidade. “Temos ouvido vários casos de violência da polícia”, segundo Kevin dos Santos, mas, “mas que não se ouve de medidas concretas”. E para ele é preciso fazer algo para mudar algo, isto, também no sentido “de uma maior confiança”, nas forças da polícia.

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