Ensino bilingue: A experiência tem sido positiva apesar da falta de materiais didácticos

8/03/2017 07:41 - Modificado em 8/03/2017 07:41

A experiência do ensino bilingue na Escola de Ponta de Água na cidade da Praia tem surtido resultados “bastante positivos”, segundo Fernando Jorge Martins, professor do quarto ano. Os alunos mostram-se mais espontâneos e motivados nas aulas. Demonstram maior domínio da Língua Portuguesa e melhores resultados a nível de outras disciplinas noutras matérias. Contudo, o docente entrevistado pelo NN acredita que a experiência poderia resultar melhor se houvesse disponibilidade de materiais didácticos, um dos maiores problemas encontrados durante os quatro anos de ensino bilingue.

 

Os ganhos com a introdução do projecto-piloto de ensino bilingue em Cabo Verde são bem vistos pelos professores que experimentaram este projecto. Apesar de ainda haver opiniões muito distantes em relação à oficialização e aprendizagem da língua materna, o crioulo, os professores das escolas que beberam da experiência, fazem um balanço positivo do projecto.

O docente Fernando Jorge Martins, licenciado em Língua cabo-verdiana e professor do quarto ano da Escola de Ponta de Água, na cidade da Praia, defende o alargamento do ensino bilingue para todas as escolas do país considerando que a introdução da língua materna, o crioulo, nos currículos só traz benefícios, maior aproveitamento para os alunos e ganhos para o país.

Questionado sobre a sua experiência como professor que lecciona utilizando a língua materna, o docente responde da seguinte forma: “É louvável, bastante encorajador, pois os alunos têm reagido muito bem”. Quanto ao aproveitamento, o professor afirma que os resultados têm sido positivos em todas as disciplinas.

Falando das dificuldades encontradas, o docente aponta a ausência de materiais didácticos específicos, para além da resistência da sociedade. Contudo, tem encontrado alguns apoios de particulares no encontro de matérias.

O professor afirma que “uma pessoa que estuda a própria língua, consegue adquirir a estrutura da língua portuguesa muito melhor”. O mesmo realça a importância do projecto bilingue e defende uma maior aposta por parte da sociedade e do Ministério da Educação.

  1. Andrea Fortes

    [NADA DE NOVO POIS UMA MAIORIA CONSIDERÁVEL DOS PROFESSORES NÃO DOMINA A LÍNGUA PORTUGUESA, NEM TÃO POUCO NADA É DE NOVO QUE NÃO HAJA MATERIAIS DIDÁCTICOS E COMO É LÓGICO UM PAÍS POBRE COMO CABO VERDE NÃO OS VAI OBTER MESMO A LONGO PRAZO.
    OUTRA CONTRADIÇÃO, MESMO SEM MATERIAIS DIDÁCTICOS OS ALUNOS TÊM CONSEGUIDO “RESULTADOS BASTANTE POSITIVOS”, PORTANTO TRATA-SE DE MAIS UM MILAGRE NESSAS ILHAS AFORTUNADAS ONDE MUITAS VEZES A FICÇÃO ULTRAPASSA A REALIDADE.
    A SOCIEDADE CABO-VERDIANA NÃO É TÃO IGNORANTE COMO ALGUNS JULGAM E PORTANTO NÃO DEIXA LEVAR POR ESSAS CANTIGAS DE FAZER BOI DORMIR O QUE JUSTIFICA E COM TODA A RAZÃO A SUA RESISTÊNCIA QUANTO A OFICIALIZAÇÃO DO ALUPEK.]
    Do site em holandês “naarcuracao.com” que informa às pessoas na Holanda acerca do funcionamento do sistema de ensino no Curacao e completando o meu comentário em baixo extraí algumas passagens que podem ser de interesse para os leitores.
    – É uma grande dor de cabeça para muitos pais conseguirem um lugar nas escolas privadas pois elas têm uma lista de espera enorme e cobram centenas de euros mensais para cada criança.
    (Nas escolas privadas o ensino é em língua holandesa e não papiamento. Papiamento é o equivalente do nosso crioulo)
    Nas escolas onde o ensino é feito em papiamento é bastante fácil encontrar um lugar.
    -O nível de ensino em língua holandesa no Curacao, escola primária e secundaria, está sob o controle da instituição NOB.
    O ensino em papiamento é aceitável ( o eufemismo é uma consequência da política correcta do holandês) mas por vezes com um nível inferior ao ensino ministrado em língua holandesa.
    Também acontece quase todos os anos que o governo não requisita ou requisita tardiamente livros e outros materiais didácticos motivo pelo qual os alunos no primeiro período de ensino não absorvem bem a matéria de ensino.
    – levando em conta a limitada oferta de material didáctico e levando também em consideração uma possível continuação dos estudos na Holanda, muitas escolas básicas no Curacao passaram a utilizar de novo durante as aulas a língua holandesa, eliminando assim o papiamento.
    – Acontece por vezes que o material didático utilizado está em holandês e o professor/a dá a explicação em papiamento.
    – As escolas no Curacao que usam a língua holandesa são muito queridas no seio da população local (levando em conta uma possível continuação dos estudos na Holanda) razão pela qual existe uma lista de espera enorme para essas escolas.
    É quase impossível obter um lugar caso o interessado em questão não tiver a justa connection.(cunha)
    —————————————————————————–
    E DEPOIS NAO NOS VENHAM DIZER QUE NAO VOS ÁVISAMOS”
    [Alguns anos atras por inspiração demagógica o governo da Ilha Curacao que é um departamento da Holanda mas com uma grande autonomia e governada pelos autóctones decidiu introduzir o papiamento como língua oficial nas escolas publicas substituindo assim a língua holandesa considerada como uma língua de colonizadores e portanto menos valida.
    Entretanto logo no inicio esses mesmos políticos que tudo fizeram para introduzir o papiamento como língua oficial retiraram imediatamente os seus filhos das escolas publicas e colocaram os mesmos nas escolas privadas onde o ensino era ministrado em língua holandesa.
    Passado 5 anos duma experiência que desde do inicio estava condenada ao falhanço chegaram a conclusão que a introdução do papiamento como língua oficial em detrimento da língua holandesa foi um verdadeiro desastre pelo que nao havia outra alternativa senão começar de novo com a “língua nao amada”.
    Nada de novo. Este desastroso resultado como é logico já era de esperar. Os alunos das escolas publicas sofreram um atraso de 5 anos. O fosso entre os alunos filhos das elites que frequentaram as escolas privadas onde a língua oficial era a língua holandesa e os alunos das classes menos favorecidas que frequentaram as escolas publicas onde a lingua oficial era o papiamento foi enorme e estes últimos sofreram um retrocesso de 5 anos.
    Marciano e comparsas que nao sao tao parvos e que sabem perfeitamente quais as nefastas consequencias de oficializar o crioulo deviam ir ate Curacao e inteirarem-se da sua experiência negativa em substituir a “língua nao amada” mas de qualquer forma a mais funcional pelo papiamento]
    Fonte de informacao:
    ELSEVIER N0. 23 de 7 de Junho de 2008.pagina 34 capitulo KONINKRIIJK / NIET DE GELIEFEDE TAAL

  2. Essas experiências são feitas onde? Nos grandes centros urbanos onde há mais condições materiais e depois generalizadas para as periferias onde onde recursos praticamente não existem. Infelizmente é assim que os nossos governantes têm agido ao longo dos tempos em relação a todas as experiências que tem sido feitas.
    As vezes fico a perguntar o que vai na cabeça dessa gente!

  3. Augusto Galina

    Bando de cretinos mentirosos irresponsàveis que se sentem bem na mediocridade. Isto não é senão um acto proprio de “lambeculos”

  4. Francisco Andrade

    Fico pensando nas crianças das outras ilhas que serão forçadas a aprender uma variante do criolo Capital do país.
    Para o Professor Fernando Jorge Martins, peço que coloca no lugar dessas crianças, visto que não foi feito nenhuma sondagem nas outras ilhas do país, não foram auscultados os pais e encarregados de educação das outras ilhas e muito menos , os docentes dessas ilhas.
    Ainda há tempo de voltar atrás , e repensar o ensino do bilíngue nas Escolas do país.

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