Onde Helder morreu, na esquadra da PN ou no hospital?

3/03/2017 07:49 - Modificado em 3/03/2017 07:49

A morte do jovem Hélder Delgado, na passada segunda-feira, dia 27, por alegada agressão policial continua a gerar polémica quanto aos factos relatados pela Polícia Nacional, pelos familiares da vítima e até mesmo versões diferentes nos documentos oficiais emitidos pela Delegacia de Saúde e pela Conservatória dos Registos. O Ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, garantiu hoje à imprensa que “independentemente do inquérito que será levado a cabo pelo Ministério Público, nós iremos averiguar se os procedimentos foram efectivamente seguidos. É de interesse do Governo que as circunstâncias sejam devidamente apuradas de forma a apurar todas as responsabilidades que foram cabíveis”.

Decorrem as investigações para apurar as circunstâncias em que ocorreu a morte do jovem Hélder Delgado, de 20 anos. As informações da Polícia contradizem as versões dos familiares que acreditam que o jovem terá sido morto na esquadra devido à brutalidade das agressões que destruíram por completo os órgãos.

Segundo os familiares, a vítima teria entrado em casa do agente “Manu” para beber água e não para roubar, isto após uma partida de futebol na tarde de domingo no campo de Calabaceira. Contudo, em conferência de imprensa na manhã do dia 01 de Março, o Comandante Regional da Polícia Nacional na Praia, Renato Fernandes, assegurou que o falecido teria sido surpreendido a roubar dentro da residência de um agente e que este terá agido em legítima defesa.

Para além disso, garante que a certidão de óbito acusa morte por choque hipoglicémico. Mas o que não foi revelado pela PN é que o registo de óbito emitido pela Delegacia de Saúde da Praia consta que para além de choque hipoglicémico, também acusa politraumatismo.

A polémica à volta deste caso tem se agudizado  devido às contradições nas informações da causa e local da morte do jovem. No certificado de óbito emitido pela Delegacia de Saúde da Praia consta que a vítima faleceu no Hospital Agostinho Neto por politrauma e choque hipoglicémico, enquanto que no Boletim de registo de óbito passado pela Conservatória de Registo consta que o local da morte foi na Esquadra da Polícia.

Diante da situação, o Ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, reuniu mais uma vez a comunicação social reagindo. O governante garante que decorre um inquérito no sentido de averiguar os factos e as circunstâncias em que morreu o jovem.

O caso já se encontra sob a alçada do Ministério Público, contudo, o Ministro assegura “independentemente do inquérito que será levado a cabo pelo Ministério Público, nós iremos averiguar se os procedimentos foram efectivamente seguidos. É de interesse do Governo que as circunstâncias sejam devidamente apuradas de forma a apurar todas as responsabilidades que foram cabíveis”.

Factos estão ainda por esclarecer e o processo instaurado pela Polícia Nacional deverá estar concluído na próxima semana.

  1. Clara Fortes

    Muitas famílias e amigos estão dependentes dos rendimentos provenientes da criminalidade pelo que são os primeiros a dirigirem para os mídia para contestarem qualquer acto que os impede de ter tais rendimentos. Não é por acaso que acostumamos em Cabo Verde com a cultura de que a criminalidade compensa.
    Agora pergunto quem é que até agora debruçou sobre as nefastas consequências não só materiais como traumatismos psicológicos das vítimas desses delinquentes? Para essas vítimas nunca se ouviu nem um pio dos chamados defensores dos Direitos Humanos. Até parece que só os criminosos e delinquentes é que são Humanos e que devem usufruir desses Direitos e que as vítimas é que passaram a ser criminalizadas.
    O tempo das eleições ficou para trás e com ele o tempo da diarreia das condecorações. Para quebrar a monotonia e creio haver ainda algumas medalhas esquecidas no fundo do baú e como incentivo à sociedade para defender o seu patrimônio e a sua integridade física e psíquica a vítima do roubo não concretizado deveria ser condecorada por este acto de muita coragem pela Polícia Nacional. Aqui fica a sugestão.

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