Praia: Donas de casa preparam-se para o almoço de “Cinzas”

28/02/2017 08:11 - Modificado em 28/02/2017 08:11
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O dia das Cinzas para os santiagueses representa uma data para celebrações, onde o que não pode faltar é a fartura. As donas de casa entraram na corrida ao Mercado para encontrarem produtos de qualidade e a preços acessíveis. Cuscuz, mel de cana sacarina, peixe seco, batatas, couves, mandioca, “trutchida” com feijão pedra torrado e pilado e xerém feito com leite de coco é o que não pode faltar nas mesas.

Se bem que para os cristãos católicos o dia de Cinzas não represente um dia de festa e de fartura mas o início da Quaresma, onde o primeiro dia após o Carnaval é reservado ao jejum e à abstinência, na ilha de Santiago, o dia de Cinzas entrou na agenda cultural como um dia em que as famílias preparam banquetes com iguarias diversas para acolher a todos.

No mercado de verduras, entrevistámos Zélia que se prepara para a tradicional quarta-feira de cinzas. Nos sacos trazia peixe seco, batata, mel e manteiga, tudo para a refeição para comemorar o dia.

Os preços dos produtos são a única reclamação dos entrevistados. “Antigamente, a tradição era mais forte, porque qualquer família conseguia adquirir peixe, mel e legumes a baixo preço. Hoje, apesar da vontade, nem todos têm essa possibilidade, pois os preços aumentaram”, diz Elisangela Veríssimo.

“Recorremos aos mercados porque é ali que podemos encontrar produtos a preços mais acessíveis, mas desde o ano passado, os preços têm vindo a aumentar. Por exemplo, o mel está a ser vendido por quatrocentos escudos. Pelo menos a batata e o tomate podem-se comprar a um preço bastante acessível”, defende a dona de casa Carla Alfama.

O tradicional dia de Cinzas está bastante enraizado nesta ilha que prefere sair da folia do Carnaval com um grande banquete, onde todos são servidos a gosto. Conforme Ricardo, a festa é preparada com meses de antecedência e explica que devido à escassez do peixe nesta altura, um dos alimentos essenciais, “o peixe é comparado e preparado meses antes” para ser servido no dia da festa.

Manuela, que também não dispensa uma mesa cheia, avançou ao NN que apesar de ser católica, não sabe como resistir à tradição e, por isso, prepara a sua mesa embora não utilize carne. Todas as panelas vão ao lume neste dia. Vamos ter “trutchida” com feijão pedra torrado e pilado e xerém feito com leite de coco, peixe seco, cuscuz com mel de cana sacarina, legumes, batata, couves e mandioca.

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