Vady Dias, um estreante que quer novas sonoridades na batucada de São Vicente

27/02/2017 08:40 - Modificado em 27/02/2017 08:40
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Com a entrevista ao estreante Mestre de Bateria do Carnaval do Mindelo, Vady Dias, que pela primeira vez orquestra um grupo de batucada de São Vicente, o NN termina uma série de artigos sobre os Mestres de Bateria da festa do Rei Momo de São Vicente.

Professor de Educação Física de profissão, Vady conta ao NN que esta é a sua primeira participação no Carnaval do Mindelo, envolvido directamente com a batucada, já que a sua primeira e única experiência como membro da batucada aconteceu em 2003, justamente pelo grupo carnavalesco Vindos do Oriente, grupo pelo qual é Mestre de Bateria.

Com 34 anos, Vady diz que a ideia de liderar a batucada do Vindos do Oriente com 75 elementos, surge de um convite de um amigo que propôs esse desafio e que a princípio o deixou receoso já que nunca tinha passado por uma experiência do género. Entretanto, aliado ao seu conhecimento profissional como músico, baterista profissional, resolveu aventurar-se e, hoje, em vésperas do Carnaval não se arrepende dessa decisão. “Tem sido uma experiência gratificante, aprendi muita coisa com o pessoal da batucada e tive oportunidade de ensinar diversas coisas novas”, assegura.

No início, continua, deve ter havido algum receio e, como principiante, teve de ganhar a confiança deles, já que a maior parte já trabalhou com mestres conhecidos, como Mick Lima e outros, mas com o tempo, “agora até parece que estou na posição há muitos anos”, regozija-se.

Em relação ao grupo carnavalesco, em particular, garante que há uma boa relação profissional porque existe diálogo e respeito entre as duas partes, principalmente durante os ensaios.

Diz estar confiante para “encarar” o palco que é o Carnaval de São Vicente. “É uma experiência que estou ansioso de fazer, mas não estou preocupado, tendo em conta que já subi noutros grande palcos, como o da Baía das Gatas. Todos os palcos são iguais e estou concentrado e quero experienciar esta satisfação”, afirma Vady. “Por isso, acho que tudo vai correr bem”.

Ser Mestre de Bateria é uma grande responsabilidade, mas ser marinheiro de primeira viagem neste universo tem uma responsabilidade acrescida, o que não preocupa este Mestre de Bateria natural de Vila Nova, São Vicente, que aprecia a união, o trabalho em conjunto, a forma de trabalhar, o método e a convivência, como grandes características de uma bateria.

Apesar de ser a sua primeira incursão como Mestre, esta não é a sua segunda participação no Carnaval de São Vicente. Vady Dias conta que já participou na festa do Rei Momo como músico e também na criação de algumas alas no grupo Flores do Mindelo, com a confecção de trajes, mas nunca esteve no “sambódromo” a desfilar. Já compôs, no entanto, quatro músicas de Carnaval para o Liceu Ludjero Lima, onde lecciona.

Questionado sobre o que mais o fascina no Carnaval, revela que é a participação em massa do público, a energia contagiante com que vivem a festa. A forma como apreciam a batucada.

Uma das maiores dificuldades encontradas é conseguir concentrar todos os elementos da batucada.

Conta ainda que o seu interesse pela música nasceu na adolescência e como a paixão pela bateria era algo caro, tocava em latas, porque a família não tinha condições financeiras para lhe comprar o instrumento. Começou a tocar mesmo aos 18 anos de idade. Apesar da paixão pela bateria, começou a tocar primeiro guitarra. Mas ser baterista é puro instinto.

É defensor da instituição do prémio de melhor batucada do Carnaval de São Vicente e, conforme argumenta, são diferentes mestres envolvidos, com trabalhos diferentes. “É gratificante para quem está envolvido neste trabalho. Nada mais justo que seja reconhecido.”

“Todas as batucadas estão a produzir algo de diferente”. E no seu caso, em particular, esteve dois meses a trabalhar no arranjo para trabalhar com duas músicas que o grupo irá levar para o “sambódromo”.  

“Não foi difícil porque já estávamos a trabalhar com dois meses de antecedência na sua preparação e quando tivemos acesso à música fizemos algumas alterações na batucada e criámos outras coisas, outros ritmos, uma linha diferente com a junção de ritmos diferentes. Quero que o público sinta esta mistura. Uma nova sonoridade”, conclui.

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