Liliana Lopes: a contabilista que é empregada doméstica

20/02/2017 08:27 - Modificado em 20/02/2017 22:32

Liliana Lopes tem 28 anos e é natural da ilha da Boa Vista. Há cerca de dois anos terminou a licenciatura em Contabilidade. Contudo, apesar do esforço para encontrar trabalho na sua área ainda não lhe calhou a sorte. Depois de diferentes estágios e candidaturas aos concursos públicos, a contabilista sente-se inquieta e ansiosa. Para não ficar parada, “sentindo-se uma parasita”, Liliana resolveu aceitar uma vaga de emprego como empregada doméstica. “Obviamente que o salário não é muito, mas sinto-me pior se não fizer nada”.

A falta de emprego leva a contabilista a trabalhar como empregada doméstica. Após vários estágios e corridas à procura de emprego, Liliana Lopes decidiu que queria trabalhar de qualquer jeito e em qualquer área. A sua destreza, habilidade e criatividade em confeccionar refeições ajudaram-na a encontrar uma vaga preenchendo três meses de férias em casa da sua actual patroa.

O drama do desemprego afecta os jovens licenciados a cada ano que passa. O número de jovens licenciados tem aumentado de forma exponencial. É sim motivo de regozijo para o país mas, com a preocupante taxa de desemprego, sobretudo nos jovens, tudo fica mais difícil e a concorrência sem mercado traduz-se numa grande preocupação dos jovens recém-licenciados.

A entrevistada é natural da ilha da Boavista e diz não se envergonhar com o trabalho que faz, contudo, sente-se preocupada com a quantidade de licenciados no desemprego. “Os que não estão no desemprego, estão a trabalhar em empregos precários e no subemprego. Não há vaga para nós”.

Liliana Lopes reside há alguns anos na zona de Terra Branca, Praia. É visível o desânimo e a tristeza no rosto da recém-licenciada. Porém, apesar do problema da falta de emprego, afirma ser forte espiritualmente, o que lhe dá forças para nunca se sentir frustrada.

“Já bati em várias portas e nenhuma, até agora, se abriu para mim, por isso, para não me sentir uma parasita, resolvi aceitar o trabalho de empregada doméstica. Desempenho as minhas tarefas com dedicação porque, embora não seja isso a minha profissão, faço-o com muito gosto e não me envergonho”, afirma.

“A minha experiência não tem como objectivo desanimar os licenciados, mas sim mostrar a realidade do nosso país, onde existem diferentes universidades e cursos “à escolha do futuro desempregado”, conclui.

 

  1. criola

    Assim vai Cabo Verde, país de desenvolvimento médio…

  2. Figueiral

    A capacidade de analisar e planear um futuro é algo difícil, nao só para os jovens estudantes como bem assim para os pais.
    Veja só o nome bombástico ” Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais”‘ como se Cabo Verde tivesse empresas que tais cursos justificam e infelizmente as que ainda não fecharam as portas não estão à espera de licenciados para irem trabalhar atras do balcão.
    Os cursos de gestão de empresa falam na imaginação dos caboverdianos como se as lojas chinesas fossem empresas.
    É pena e bastante triste e trágico que esses estudantes, “geração à rasca ou perdida” ainda não se consciencializaram que estão sendo ludibriados e que a maioria dos diplomas conseguidos nestas pseudo universidades apenas os ajudam verdadeiramente a entrar na lista cada vez maior dos desempregados.
    Quem melhor saiba que o diga.

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