Profanação e roubo nas Igrejas: A Polícia “nunca conseguiu descobrir sequer um caso”

17/02/2017 07:58 - Modificado em 17/02/2017 07:58
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Uma onda de profanação e roubos nas igrejas católicas tem vindo a preocupar os fiéis e responsáveis máximos das Igrejas. Já se contabilizaram mais de sete casos num curto espaço de tempo. Contudo, a Polícia, até ao momento, não conseguiu identificar qualquer responsável pelos crimes. O Cardeal e Bispo da Diocese de Santiago, Dom Arlindo Furtado, reagiu aos sucessivos episódios mostrando preocupação, uma vez que a Polícia “nunca consegue descobrir sequer um caso de tantos assaltos registados às igrejas, sobretudo, para roubo de aparelhagens e, nalguns casos, de profanações graves”.

 

Igrejas assaltadas, sacrários destruídos e hóstias profanadas, comportamento que tem afectado a essência dos cristãos. “Uma atitude gratuita ao se tentar atingir o coração do sagrado, uma atitude muito dolorosa” segundo Dom Arlindo Furtado, Bispo da Diocese de Santiago.

 Os furtos acontecem durante a noite. Normalmente, o modus operandi para estes actos é o mesmo utilizado para subtrair os equipamentos de som. A profanação acontece sempre nos sacrários, onde os meliantes retiram o sacrário e atiram as hóstias para o chão. Neste último caso, o Bispo é chamado para a realização da cerimónia do Desagravo.

Sucessivos casos foram registados em 2016, episódios que continuam a repetir-se. Já se contabilizaram pelo menos dois casos em 2017, tendo o último ocorrido na Igreja da Paróquia de São Paulo Apóstolo na zona de Palmarejo, cidade da Praia. Os assaltantes levaram equipamentos de som, amplificadores, microfones, colunas, para além de danificarem a porta e a fechadura.

Apesar da onda de vandalismo nas igrejas um pouco por todo o país, a Polícia Nacional não identificou quaisquer suspeitos, permanecendo a angústia e preocupação dos fiéis, pois não sabem quem será a próxima vítima.

O prelado apela por um maior empenho por parte das autoridades, uma vez que para além dos prejuízos materiais, está em causa “o valor moral e espiritual”.

“A agressão deliberada a um espaço sagrado, em qualquer parte do mundo, deveria ser considerada como uma agressão grave”, revela Dom Arlindo Furtado à Inforpress.

Os fiéis da igreja católica mostram-se preocupados. Elisa Andrade, da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, afirma que “estamos preocupados com os crimes frequentes nas igrejas. Além dos aparelhos de som, os assaltantes tentaram levar também o santíssimo e reviraram os armários da sacristia”. A mesma solicita maior segurança e um patrulhamento nas redondezas.

Dom Arlindo considera que “isto é mesmo uma questão de roubo por parte de indivíduos habituados a este tipo de actos e, por isso, o objectivo deles é conseguir algo, provavelmente, não para a sobrevivência, mas sim para matarem os vícios”.

O mesmo lamenta o facto dos roubos que não ultrapassam 300 contos não serem considerados casos importantes.  

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