Bastidores do Carnaval / Costureira: a que veste reis, rainhas, princesas e os súbitos

10/02/2017 07:52 - Modificado em 10/02/2017 07:52
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Tanha, uma costureira que dedica o seu trabalho de corpo e alma para o Grupo Carnavalesco Vindos do Oriente e Samba Tropical.

 

Antónia José Silva dos Reis, 53 anos de idade, natural de São Tomé e Príncipe, residente em São Vicente, há mais de 10 anos que costura roupas para o grupo do Samba Tropical e há 4 anos para o grupo Vindos do Oriente.

Antónia dos Reis, mais conhecida por Tanha, diz que encontrou na costura um espírito de inter-ajuda, isto porque, desde os 9 anos de idade sempre ajudou a sua mãe a costurar.

“Aos 9 anos de idade comecei a aprender a costurar, mas tudo isso não teria acontecido se a minha prima, que na altura trabalhava com a minha mãe, não tivesse atirado uma roupa ao chão devido a uma chamada de atenção feita pela minha mãe. Eu fiquei comovida com a situação e apanhei a roupa do chão e pedi para que a minha mãe me orientasse e, desde essa altura, nunca mais abandonei a costura”, conta.

De acordo com Antónia dos Reis, ela nunca quis ser costureira mas que, graças ao seu interesse e dedicação, conseguiu alcançar os seus objectivos até agora.

“Nunca quis ser costureira, pois a minha mãe era costureira e levava uma vida muito fechada, então dizia-lhe que nunca iria ser costureira. Entretanto, comecei a ajudar a minha mãe e nunca mas quis saber de mais nada”, disse.

Acrescenta ainda que “já trabalhei em fábricas e como acreditava que tinha capacidades de ir mais além, então resolvi comprar as minhas máquinas e formei o meu atelier em minha casa”.

Antónia dos Reis afirma que há mais de 10 anos que costura roupas para o grupo de Samba Tropical e há 4 anos para o grupo Vindos do Oriente.

“Comecei a costurar roupas de desfile para o Carnaval graças à Vera Manu Rasta e já lá vão 10 anos que costuro roupas para o desfile do Samba e há 4 anos do Grupo Vindos do Oriente”, afirma Antónia dos Reis.

De momento, Antónia dos Reis trabalha só com o Grupo Carnavalesco Vindos do Oriente e com o Samba Tropical, isto porque, acredita que quando se trabalha por um grupo tem que ser só por um grupo, caso contrário, pode gerar confusão.

“Foi com o grupo Vindos do Oriente que comecei e irei até ao fim, pois tenho amor ao meu trabalho e para mim, o Carnaval é o meu trabalho favorito. Carnaval para mim é tudo!”, considera.

Conforme nos adiantou a costureira, o trabalho encontra-se  adiantado porque é muito trabalho.

“De momento não posso dizer que estou com metade do trabalho adiantado, mas sim com 3 /4 adiantado porque tenho a Ala de Samba com 80 figurantes, 120 figurantes do Vindos do Oriente e outros destaques que são as pessoas dos andores”, realça.

A costureira diz que há alguns anos fez a roupa do Rei e da Rainha do Grupo Carnavalesco Vindos do Oriente, e eles não levaram o prémio dos vencedores por injustiça ao Grupo.

“Tive de costurar o Rei e a Rainha do Grupo Vindos do Oriente e não levaram o prémio dos vencedores por parte dos jurados, mas para o povo foram os melhores. Tudo isso veio a acontecer porque alguém viu a dona Lily e a Vera no aeroporto onde foram buscar um cartão e disseram que as roupas do Rei e da Rainha vieram do Brasil e nós, não tivemos como provar, pois fui traída na altura por um rapaz que me roubou o meu cartão de memória da minha máquina fotográfica”, explica Antónia dos Reis.

Por último, Antónia dos Reis diz que todo o trabalho que ela realizou até agora, onde todos os anos veste mais de 100 figurante do Grupo Vindos do Oriente, não seria possível sem a ajuda dos seus trabalhadores.

“O trabalho final, o Grupo a desfilar na cidade do Mindelo, esse trabalho só foi possível graças a mim e à minha equipa, porque é um trabalho nosso que dedicamos de corpo e alma”, frisa Antónia dos Reis.

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