Portugal: Cabo-verdianos no bairro 6 de Maio pedem ajuda para o fim do “sofrimento e a humilhação”

10/02/2017 07:29 - Modificado em 10/02/2017 07:29

Os moradores cabo-verdianos apelam ao governo de Cabo Verde que intervenha para colocar fim ao “sofrimento e a humilhação” que dizem ser alvos devido a demolição das suas casas no âmbito do programa de erradicação dos bairros degradados na Amadora em Portugal.

Os residentes de naturalidade cabo-verdiana em entrevista à Inforpress alegam que está a ser violado um dos mais elementares direitos humanos que é o direito à habitação. Desta forma pedem a intervenção do executivo de Cabo Verde. “Chamamos a atenção do nosso governo, na medida em que estamos a ser tratados de uma forma desumana”, diz Daniel Tavares, um morador do bairro há mais de 30 anos. Este assegura que em 1993 a Câmara Municipal da Amadora fez recenseamento para realojamento, mas “acontece que muitas das pessoas recenseadas já faleceram e ficaram os filhos. Estes reivindicam o direito de um lugar para morar visto que estão a ser desprovidos da casa onde nasceram e a câmara da Amadora não lhes reconhece esse direito de herdarem as residências deixadas pelos pais”, explica Daniel Tavares.

Outro morador do Bairro 6 de Maio, Isidoro Mendes da Graça, assegura que está em Portugal desde de 2002, altura que veio cuidar do pai que estava doente e que agora não tem onde ir. Luisa Lopes, por sua vez está aposentada por motivos de doença e adianta que estão ser discriminados e justifica que morou muitos anos numa casa de onde foi despojada por não terem encontrado o nome no recenseamento. Desta forma a moradora considera que “estar a desalojar as pessoas das suas casas sem apresentar alternativas é de uma tamanha desumanidade”.

A Câmara Municipal da Amadora, através de um comunicado, demonstrou a sua determinação em levar avante o programa de demolições no Bairro 6 de Maio e fez saber que as demolições de terça-feira, em que seis famílias ficaram desalojadas, fazem parte de um programa de erradicação dos bairros degradados. De acordo ainda com o citado comunicado, o processo de demolições está “completamente fundamentado” e que considera que, ao contrário das afirmações dos moradores e associações, as medidas não são tomadas de forma arbitrária, lê-se na Inforpress.

  1. Carlos Fortes

    [Adiantou que, de acordo com informações recebidas, existem pessoas que já receberam 47 mil euros para comprarem as suas habitações sociais, outras que já receberam as chaves e que teimam em não sair.
    Há ainda situação de moradores que já receberam chaves de habitações arrendadas, com despesas totalmente suportadas pela edilidade, mas que teimam em não abandonar o bairro.]
    (Afirmações do diplomata cabo-verdiano Eurico Monteiro)
    “Nós, os cabo-verdianos, pelo menos muitos de nós, somos simplesmente ingratos. Eu vivo na Bélgica e comprei um apartamento por 100 mil euros contraindo uma dívida hipotecária no Banco de 80 mil euros e sem nenhuma ajuda do governo belga, sendo a Bélgica um País relativamente rico e que não atravessa nenhuma crise econômica como a crise portuguesa.
    Conheço vários emigrantes portugueses chegados recentemente na Bélgica e não só que também para resolverem o seu problema habitacional têm contraído dívidas elevadas e também sem nenhum euro gratis dado pelo Estado Belga.
    O pior ainda é que muitos desses infractores em Portugal já devem ter investido essa quantia fabulosa de 47 mil euros na construção duma casa em Cabo Verde e riem ainda do povo português que cumprindo as leis do País nem um centavo recebem do Estado para resolverem o seu problema habitacional.
    E depois chamamos a televisão, os jornais e a Embaixada de Cabo Verde para protestar contra as Instituições alegando xenofobia, racismo e demais expressões que conferem-lhes o almejado estatuto de auto-vítimas muito em moda nas últimas décadas.
    E depois falamos mal de Portugal e dos portugueses um País e um povo generoso que sem nenhuma exigência de pagamento dá 47 mil euros a certos ingratos para resolverem o seu problema habitacional enquanto milhares de portugueses são expulsos das suas habitações sem nenhum apoio do Governo.
    E depois venham com a cantiga que nós os Cabo-verdianos somos discriminados em Portugal. Quem são discriminados na verdade são os portugueses que cumprem as leis e não recorrem a torto e a direito à televisão e outros meios de comunicado social usando o argumento de discriminação racial ou outras de igual teor para atingirem os seus fins.
    Haja saco.”

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