Condenados do ‘Perla Negra’ podem por fim a greve de fome

10/02/2017 07:26 - Modificado em 10/02/2017 07:26

Dois cidadãos espanhóis condenados em 2015 no âmbito do caso de tráfico de droga denominado ‘Perla Negra’, Juan Bustus e Carlos Ortega, deviam suspender hoje a greve de fome iniciada há oito dias para exercerem o “direito à indignação” e reclamar inocência.

Contudo, até ao final da tarde desta quinta-feira, a Inforpress não pôde apurar se Juan Bustus e Carlos Ortega, condenados a 20 de Novembro de 2015 a 15 anos de prisão efectiva, desistiram do protesto que abraçaram a 02 de Janeiro.

Os grevistas cumprem pena de 15 anos de prisão, enquanto que o cabo-verdiano Alexandre Borges cumpre 16 anos de cadeia. Também o espanhol José Villalonga, o cubano Ariel Benitez e o suíço Pactrick Komarow foram punidos com 15 anos de reclusão.

Os seis traficantes recorreram ao Supremo Tribunal de Justiça, encontrando-se a aguardar pela decisão.

O advogado dos cidadãos espanhóis, Félix Cardoso, disse hoje à Rádio de Cabo Verde  (RCV) que os grevistas exerciam o direito à indignação porque se consideram inocentes, não constituindo a sua atitude um protesto a qualquer acção da direcção da Cadeia Central de São Vicente, onde cumprem a pena.

O caso deu-se na noite de 05 de Novembro de 2014, pelas 23:15, quando a Polícia Judiciária (PJ) apreendeu 521 quilogramas de cocaína, cujo transbordo ocorrera minutos antes numa praia de Salamansa, em São Vicente.

Na operação que a autoridade denominou de ‘Perla Negra’, a PJ deteve em flagrante delito, na estrada do Lameirão e no centro do Mindelo, seis homens, sendo quatro deles residentes nesta cidade e com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos.

Os 521 quilogramas de cocaína encontravam-se dissimulados em 19 sacos de viagem, sendo que cada pacote pesava um quilograma.

Dias depois, a PJ exibiria à comunicação social armas, munições, dinheiro e viaturas apreendidas na sequência de buscas e outras diligências efectuadas no âmbito do mesmo processo.

Ao todo, a PJ apreendeu cinco armas de fogo, sendo duas pistolas e um revólver de pequeno calibre e duas metralhadoras G3 FMP, 320 munições de diferentes calibres, nove viaturas de diferentes marcas e modelos, peças de ouro e as quantias de 140 mil euros e 515 mil escudos em moeda nacional, para além de “pequenos montantes” em moedas da Martinica e dos Estados Unidos da América.

A esse material apreendido juntam-se três viaturas, um iate, uma arma de fogo e uma moto de água apreendidos no primeiro dia da operação.

Os arguidos respondem pelos crimes de associação criminosa, tráfico internacional de droga, posse de arma e lavagem de capitais.

Inforpress

  1. Maria Fortes

    O Mundo está cheio de contradições. Uma faixa considerável da população cabo-verdiana está em greve permanente de fome há muitos anos, para não dizer séculos, não por escolha pessoal, mas sim por circunstâncias sócio-econômicas alheias à sua vontade.
    Os nossos irmãos castelhanos, vendo o seu curriculum e também dos seus camaradas devem possuir uma situação financeira bastante folgada para comerem do bom e do melhor aí na prisão da Ribeirinha resolvem entrar em greve de fome até morrer pressionado assim a Justiça.
    Alias essas greves de fome são quase sempre orquestradas pelos advogados que procuram explorar e manipular a opinião pública e não passam de show pois são poucos aqueles que se deixam influenciar por estas encenadas peças de teatro.
    Alias valores éticos e morais são para uma grande maioria dos advogados palavras ocas e quanto mais quando eles cheiram dinheiro advindo do mundo da droga. Vêr a exibida riqueza pornografica adquirida pelos advogados da máfia da droga em Cabo Verde. Para eles e seus acólitos na verdade o crime compensa.
    Que venha um bom prato de paella regado com um bom vinho reserva e o resto é cantiga para fazer boi dormir. BUEN APETITO.

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