Bastidores do Carnaval/Mestre de bateria: o que faz bater o coração do Carnaval

10/02/2017 07:13 - Modificado em 10/02/2017 07:15
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Considerada o coração dos grupos nos desfiles de Carnaval, a bateria (batucada) é formada por dezenas de tocadores que têm como principal objectivo acalentar o desfile dos grupos e contagiar o público presente no dia do Carnaval. Apesar da importância de cada instrumento, apenas um profissional é responsável por transformar esse emaranhado de batidas em música: o mestre de bateria.

Conhecendo este universo fascinante do Carnaval, o Notícias do Norte conversou com diversos mestres, entre eles, o responsável pela batucada do Grupo Cruzeiros do Norte, Fernando Gomes, que juntamente a quatro dos seus irmãos fundou o grupo “Mindel Samba”.

Ao NN, Fernando Gomes fala sobre o percurso do “Mindel Samba” no Carnaval de São Vicente. Este conta que a ideia de fundar um grupo deve-se ao facto de São Vicente estar a precisar de outro grupo de bateria, já que existia apenas um. “O Carnaval está a evoluir e então surgiu esta necessidade”.

Fundado em 2015 pelos irmãos Gomes, este ano o grupo vai completar três anos a suportar o grupo carnavalesco Cruzeiros do Norte.

Durante o ano, o grupo funciona no “Quintal das Artes”, na ex-esquadra da polícia à frente do Mercado do Peixe e, conforme explica o mestre Fernando Gomes, serve para formar crianças e não só, sendo alguns formandos aproveitados como elementos do Mindel Samba durante o Carnaval. “Não é possível enquadrar todos porque o grupo é que pede quantos tocadores quer. E este ano, contrataram apenas 60”, explica o mestre Nando.

É ele quem cuida de toda a regência como se fosse um maestro. Confere afinação, sincronização, posicionamento de cada instrumento. É o mestre Fernando quem comanda a bateria do Cruzeiros do Norte – uma trajectória que começou ainda na infância, quando tocava em latas como qualquer criança fazia e, depois, a construir tambores com sacos de cimento.

“Comecei ainda criança e comecei a tocar de forma profissional aos 15 anos, altura em que comecei a trabalhar com o mestre Mick Lima que é a minha maior referência na área”, conta. Até 2017 tocava apenas e foi nesse ano que teve a sua primeira experiência como mestre de bateria, auxiliando o trabalho do mestre Mick Lima. “Agora, estou como mestre de bateria há seis anos consecutivos, apesar de outras experiências no cargo”, afirma Fernando Gomes que conta com a ajuda dos irmãos, Daniel “Nhela” Gomes, Luís Gomes, Mário Gomes, responsáveis na afinação dos 60 integrantes da bateria do Mindel Samba ao serviço do Cruzeiros do Norte.

Questionado sobre o funcionamento técnico da bateria, “Nando”, como é apelidado, diz que o seu trabalho provém da originalidade das ideias que lhe surgem e que tenta captar logo, gravando com a boca no telemóvel e, depois, no ensaio, vê se é possível enquadrá-las com o samba enredo do grupo.

Apesar do stress destes dias, Nando diz que na última semana antes do Carnaval o stress vai diminuindo e, no dia “D”, reina a tranquilidade. “No dia do desfile, o stress da escola está concentrado na bateria cujo desempenho é vital para a vitória, e a confiança nos elementos do Mindel Samba é essencial”. Refere ainda que o número dos elementos do grupo varia, mas em estimativa são cerca de 50 elementos fixos.

Além de formar tocadores, responsabilizar-se pela bateria do grupo Cruzeiros do Norte, também fabricam os próprios instrumentos. “Importamos as peles do Brasil e nós mesmos confeccionamos o nosso material”, conta Mário “Maiúca” Gomes, irmão mais novo dos Gomes.  

Relativamente à preparação da música do Carnaval que o Mindel Samba irá trabalhar à volta do samba enredo do grupo “A vida é bela”, Nando garante que tudo está a correr tranquilamente. Apesar do atraso na entrega do tema ao grupo, há duas semanas que estão a trabalhar na música. “Gostaria que os compositores dessem as músicas com maior antecedência”, desabafa.

O mestre Nando destaca o Carnaval do ano passado, 2016, como aquele que mais marcou o grupo, isso devido à inovação que trouxeram que foi uma paragem, ou seja, o intérprete do samba enredo canta e depois entra a batucada.

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