Separação entre o Partido e o Estado: quem não quer tirar a boca das tetas?

8/02/2017 08:22 - Modificado em 8/02/2017 08:22

A questão da partidarização da função pública não é um tema recente e as intenções de despartidarizar já encheram muitos infernos. Apesar do PAICV ter sido obrigado em 1991 a separar o Partido do Estado com a queda do tristemente celebre  artigo quarto da Constituição  que consagrava , em moldes marxista- leninista,  ” o partido como força dirigente do Estado e da Sociedade” , 26 anos depois UIisees Correia Silva tenta fazer o que as leis do pais nunca conseguiram fazer : separar o Estado do Partido . Resta saber se vai conseguir , pois sabe – se que em Cabo Verde o caminho mais curto e certo para se chegar  as tetas do Estado é através do… Partido e como se diz no bom badio: macadjon e sabi me.

É usual ver caras do partido no Governo a desempenharem funções de liderança em empresas públicas. Várias questões políticas tiveram como base este assunto, onde um partido acusa o outro de beneficiar membros do partido ou conhecidos. Os chamados “job for boys”. Na campanha eleitoral, o MpD teve esse assunto em agenda e, na sua convenção, aprovou o regime de incompatibilidades. Não satisfeito, quer levar a questão ao Parlamento para que possa passar a ser lei.

O assunto não é uma questão à parte da conversa dos cidadãos. Das entrevistas efectuadas, fica a sensação de que as pessoas estão à procura de um benefício próprio ou para alguém do seu círculo político ou familiar. Um problema a ultrapassar pelos que desempenham cargos administrativos na política, numa perspectiva de mudar o cenário.

Este cenário descrito agora pelo MpD agrada às pessoas que gostariam de ver justiça e oportunidade para todos “e não somente para aqueles ligados à política”. O regime de incompatibilidades ainda é um assunto do meio político interno do MpD, até agora, mas é visto com bons olhos na medida de separar o Estado dos partidos.

Numa retrospectiva feita por Carla Silva, a mesma afirma que costuma notar que quem administra as empresas públicas são pessoas ligadas ao partido no Governo. E inclui todos os partidos no mesmo saco aquando da questão. “Podíamos ver que no tempo do PAICV era assim, o MpD entrou e muitas pessoas entraram para ocupar cargos que pertenciam a outros do PAICV. E, assim, fica a sensação que se tem de estar na política para se poder exercer estas funções”.

Na mesma linha de pensamento, Ivan Neves diz que tem a mesma sensação mas que, às vezes, até que é compreensível visto que as pessoas no poder querem ter pessoas de confiança já que estas irão fazer o trabalho que lhe for pedido “sem levantarem muitas questões”.

Voltando à questão trazida à baila pelo MpD, a mesma cai no agrado de muitos cidadãos, na medida em que o sentimento é de que deve haver esta separação. “As pessoas vão sempre cuidar de interesses políticos e mais nada”, afirma Jorge Delgado. Para este cidadão, tem sido sempre assim, e “é necessário mudar”. Ele diz que quando estão lá vão só ocupar o cargo e, às vezes, nem trabalham como deveria ser. Neste particular, o sentimento é generalizado. Olavo Ramos, sem mencionar nomes, diz que já viu pessoas com cargos em partidos a desempenharem funções em empresas públicas que “nem sabem como foram lá parar”.  

“Há necessidade não só de separação, mas também de se terem pessoas capazes a desempenharem funções públicas, sem terem em primeiro lugar o interesse dos partidos”, acrescenta ainda Carla Silva. Como diz, o interesse do país deveria estar em primeiro lugar sempre “mas, às vezes, não acontece”.

Neste sentido, o sentimento é que uma lei que regule a questão seria bem-vinda e, assim, colocaria ordem nas empresas públicas. Mas fica a ressalva de que os dirigentes das empresas deveriam ser apenas escolhidos através de concurso para que fossem colocadas pessoas capazes de fazerem um bom trabalho”.

  1. VIRULENTO

    Estaria de acordo com essa lei se o MPD não usasse o mesmo esquema/falcatrua para colocar na Administração Pública e outras instituições os seus amigos, simpatizantes e militantes incompetentes com a vitoria nas legislativas de 2016. O PAICV usou esse tipo de esquema mais as pessoas eram competentes, capazes e experientes. Essa lei só poderá ser votada no dia que aparecer um outro partido ou movimento ( SP-SEM PARTIDO) em Cabo Verde, pois agora é impossivel porque cada um pesca no mesmo barco e come na mesma panela Sem Djobe Pa Lado.

  2. Atento

    Tudo conversa para “boi” dormir…. a administração pública já está infestada deles, e a cada dia que passa vai entrando mais militantes, familiares, primos, cunhados…quem não quer ver é porque não quer…

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