Idoso de 81 anos vende chapéus e objectos religiosos para viver

3/02/2017 08:21 - Modificado em 3/02/2017 08:21
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Geraldo Tavares, carinhosamente conhecido por “Cótxi”, tem 81 anos, é natural de Calheta São Miguel, interior de Santiago. Há mais de trinta anos que veio residir na zona de Calabaceira, cidade da Praia. Há cerca de 10 anos que o idoso se desloca diariamente para a beira da estrada de Safende, numa barraca para vender chapéus, objectos religiosos, ferramentas de construção civil e algumas peças de roupa, tudo para se auto-sustentar.

Numa barraca improvisada junto da estrada de Safende, encontra-se “Cotxi”, um jovem de 81 anos que se diz sentir feliz com a vida que leva. Diariamente “Cotxi” desloca-se até ao local onde monta a sua barraca e arruma os seus produtos.

Na humilde barraca podemos encontrar bonés de diferentes tipos, peças de roupa, objectos religiosos, santos, terços de pequenas e grandes dimensões, uma variedade de ferramentas de construção civil, como níveis, metros, alicate, chaves de fenda e vários outros objectos.

“Cotxi” era marinheiro e trabalhou vários anos em São Tome e Príncipe e em Portugal. Após a reforma, regressou para a sua terra natal, Santiago, onde resolveu entrar no negócio informal. O entrevistado diz que há cerca de dez anos que faz negócio de bonés, produto proveniente de Portugal. Os preços variam de quinhentos a 1500 escudos.

O entrevistado defende que alguns anos atrás vários clientes procuravam os seus produtos. Mas “desde que os chineses entraram em Cabo Verde, o negócio deixou de ser o mesmo”. Embora reclame da crise que afastou os seus clientes, “Cotxi” assegura que leva o seu trabalho sempre com responsabilidade, por isso, religiosamente é ali o seu posto onde muitos amigos o vão encontrar para “contar parte”.

Porque foi habituado a trabalhar desde tenra idade, enquanto tiver forças, continuará a trabalhar pois não se sente cansado. “Venho às 08 horas da manhã e só regresso por volta das 18 horas”.

Isto porque enquanto há vida, lida. O entrevistado afirma que o que ganha da venda da sua humilde barraca é gasto na alimentação. “Lutei muito. Com 15 anos fui para São Tomé e Príncipe, depois emigrei para Portugal onde trabalhei durante mais de quarenta anos”.

Com um olhar de quem provou as amarguras da vida, com um sorriso desdentado e verdadeiro, “Cotxi” mostra-se um homem religioso, de boas palavras e com larga experiência de vida. Orgulhoso, “Cotxi” afirma sentir-se muito feliz pelo facto de ser pai de 17 filhos, avô de 27 netos e bisavô de 19 bisnetos.

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