Líder da UNITA alerta que angolanos «não vão aceitar mais nenhuma fraude»

30/01/2017 13:28 - Modificado em 30/01/2017 13:28
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O presidente da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA), Isaías Samakuva, disse, à Lusa, em Paris, que os «angolanos não vão aceitar nenhuma fraude» em referência às eleições gerais previstas para agosto.

«Se as eleições não forem transparentes, forem fraudulentas outra vez, eu estou a dizer a todo o mundo que é preciso fazer atenção porque os angolanos estão completamente fatigados do que se passa hoje, estão cansados do regime que governa o país hoje e não vão aceitar mais nenhuma fraude assim», alertou o líder da UNITA, em entrevista à Lusa.

Isaías Samakuva sublinhou que «esta é uma mensagem» que quer transmitir «a todos aqueles que queiram manter Angola com a estabilidade que tem hoje», sublinhando que a UNITA faz «tudo para que se consolide essa estabilidade» mas que pode «perder o controlo» que «ainda» exerce «sobre o povo angolano».

O presidente da UNITA ressalvou, porém, que se a UNITA não vencer as eleições gerais e que se estas decorrerem «num processo transparente, livre», vai ser reconhecida «a vontade do povo», advertindo que «toda a gente tem de trabalhar agora no sentido de, pelo menos esta vez, Angola ter eleições credíveis, transparentes, livres e justas».

Relativamente à não oficialização da saída da vida política de José Eduardo dos Santos, Isaías Samakuva reiterou à Lusa que se trata de «uma questão interna do MPLA» e que «esta indefinição tem algum impacto na vida nacional», ainda que nunca tenha ficado «ciente que o anúncio [da retirada de José Eduardo dos Santos] fosse algo definitivo».

Questionado sobre se José Eduardo dos Santos seria um adversário mais difícil que o vice-presidente do MPLA, João Lourenço, – apontado por fontes do partido, na reunião do comité central do MPLA de 02 de dezembro, como o cabeça-de-lista às eleições – Isaías Samakuva disse pensar «o contrário».

«Penso exatamente o contrário. Talvez a entrada de um novo ator, na verdade, pode ainda suscitar algum benefício da dúvida da parte dos eleitores, mas o candidato que já está lá, que os eleitores já conhecem, creio que este pode ser para nós um candidato preferível (…) Venha João Lourenço ou José Eduardo dos Santos, é o MPLA que estará a candidatar-se. É contra as políticas do MPLA que nós queremos apresentar as nossas propostas para retirar o país da crise em que se encontra», afirmou.

O líder do maior partido da oposição angolana, que está em Paris desde domingo e até terça-feira, para encontros com a comunidade, políticos e empresários franceses, advertiu que Angola está «na situação de doente grave que precisa de uma ambulância», nomeadamente nos setores da educação, saúde, habitação e emprego que aponta como prioritários se chegar ao poder.

Restaurar a economia

Outro objetivo da UNITA é «restaurar rapidamente a economia», denunciando que «a crise não resulta apenas da baixa de petróleo mas também de uma endemia da corrupção, de uma crise de má governação» e de uma «crise da perceção da responsabilidade do cidadão governante em relação à sua missão».

«Nós podemos restaurar rapidamente a economia. O governante tem de ser responsável, tem de prestar contas. Nós não vemos os nossos governantes a prestarem contas. De tal forma que ele é nomeado hoje e dois meses depois está riquíssimo, está um `ricalhão` e ninguém lhe pergunta de onde é que tirou o dinheiro. Isso não pode acontecer mais no nosso país num governo da UNITA», declarou o líder do partido desde 2003.

Isaías Samakuva mostrou-se ainda satisfeito com «o nível de adesão bastante aceitável» desde a segunda fase do recenseamento eleitoral, no início de janeiro, porque disse ver «os postos de registo cheios» e espera que «esta vontade de se registar corresponda à vontade de votar».

«É importante que, desta vez, no quadro deste processo que nós queremos que seja transparente, haja cadernos eleitorais (…) Nos processos anteriores, não houve cadernos eleitorais afixados. A lei prevê a afixação dos cadernos eleitorais, primeiro a existência e depois a sua afixação. E nós queremos que, desta vez, este passo seja cumprido também», advertiu.

O líder da UNITA lamentou, também, que a diáspora angolana não possa votar, afirmando que, se a UNITA chegar ao poder, o voto dos cidadãos que vivem no estrangeiro «teria de ter lugar».

 

abola.pt

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