Quatro casos de lepra registados em 2016

30/01/2017 08:20 - Modificado em 30/01/2017 08:20
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Cabo Verde registou em 2016 quatro novos casos de lepra, doença de declaração obrigatória e que, segundo o especialista Jorge Barreto, já não constitui um problema de saúde pública neste país há mais de duas décadas.

O coordenador nacional do Programa de Luta contra as Doenças de Transmissão Sexual, Tuberculose e Lepra, que fez estas considerações, em declarações à Inforpress no âmbito do Dia Mundial dos Leprosos, assinalado a cada último domingo de Janeiro, adiantou que, apesar da erradicação da doença, é preciso que “não se baixe a guarda”.

Neste âmbito, apelou os profissionais de saúde, médicos e enfermeiros, a estarem atentos na identificação de pessoas que podem ter lepra, apresentando lesões de pele ou outras manifestações da doença.

“Há mais de 25 anos, que a doença está controlada ou erradicada, segundo os parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS). No país, o tratamento para este tipo de doença é gratuito e todos têm a possibilidade de o fazer sem problema nenhum”, explicou.

Em 2015, Cabo Verde tinha registado nove novos casos, todos em adolescentes, mas com familiares com histórico da doença, sendo a maioria do concelho da Praia, e nas ilhas da Boa Vista e de Santo Antão.

A data que este ano é assinalado sob o lema “64º Dia Mundial dos Leprosos – Prevenir para Erradicar”, dever ser visto, de acordo com Jorge Barreto, como um repto para persuadir as autoridade e pessoas a terem em conta de que, apesar da eliminação da doença, ainda existem países onde a erradicação não foi conseguida.

E porque ainda, existem países onde a lepra ainda é um problema, Jorge Barreto alerta as pessoas a terem cuidado e a se prevenirem, pois, a doença é de fácil transmissão por via área, e aconselha a todos a terem em conta os sintomas que pode ser como aparecimento de manchas na pele.

“A identificação e diagnóstico da doença deve acontecer o mais rápido possível para um melhor tratamento e para que a transmissão a outrem não seja possível”, esclareceu.

A doença, que há duas décadas tinha uma prevalência “muito elevada”, chegando a atingir os 1.200 casos por ano no arquipélago, quando diagnosticada a tempo é “perfeitamente tratável”, pois, conforme recordou o coordenador nacional, desde os anos 80 a cura para o mal de Hansen é tratada com antibióticos.

Em Cabo Verde para assinalar a data, foi cumprido, durante uma semana, um programa de actividade a nível das delegacias e centro de saúde e que visava a realização de palestras, consultas mais detalhadas a situações que pode surgir lepra, entre outros.

A origem da lepra confunde-se com a história da humanidade. Das doenças conhecidas, é uma das mais antigas e mais terríveis, de acordo com os especialistas.

É uma doença infecciosa crónica, com um grande período de incubação, pois, os bacilos que podem ser milhões, reproduzem-se lentamente. Ela atinge as pessoas pelo contágio, em especial as mais frágeis que sofrem de desnutrição, falta de água potável e baixos padrões de higiene.

Em 1873, Hansen, um jovem médico norueguês, conseguiu detectar, em matéria orgânica retirada dos doentes de lepra, uns estranhos filamentos que a Ciência confirmaria depois como os agentes causadores da doença: os bacilos de Hansen.

A descoberta foi de grande alcance histórico e médico, já que se começou a fazer, em 1941, os primeiros medicamentos eficazes na luta contra a lepra.

Hoje, segundo especialistas, a lepra é fácil de tratar, mas os seus portadores são pobres e não têm dinheiro para os medicamentos, daí a necessidade de se continuar a assinalar a data, visando sensibilizar as populações e os governos para a necessidade de ajudar estes doentes pobres.

De acordo com os últimos dados da OMS, todos os anos surgem entre 400 e 500 mil novos casos de lepra.

O Dia Mundial dos Leprosos assina-se no último domingo de Janeiro, desde 1954, altura em que foi instituída pela ONU, a pedido de Raoul Follereau (1903-1977), que dedicou 50 anos da sua vida à causa dos leprosos.

Esta efeméride tem o objectivo de sensibilizar as pessoas para a discriminação exercida sobre os doentes com lepra, assim como promover a ajuda dos leprosos e a sua reintegração social.

Inforpress

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