Decide-se este domingo o presente do PAICV e o futuro?

27/01/2017 07:32 - Modificado em 27/01/2017 07:32
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O PAICV vai a votos neste domingo. Data já há muito esperado para definir a próxima liderança do partido, ainda que Janira Hoffer Almada concorre a sua própria sucessão. 

Estas eleições são extraordinárias depois de Janira Hoffer Almada ter colocado o cargo a disposição, em sequência dos resultados. Desde, ou mesmo antes, das ultimas eleições o clima interno do PAICV não tem sido a melhor. O clima de divisão interna já não é assumido internamente, e, como aconteceu no lançamento do Congresso Nacional do PAICV, Filomena Martins, porta-voz enalteceu que é “preciso trabalhar profundamente no sentido de reforçar a unidade interna do PAICV”.

Unidade interna que foi posta em causa depois de vários membros do partido questionar a data, assim como a própria realização destas eleições. “O PAICV vai realizar estas eleições numa circunstância em que não há vaga, nem demissão. Temos alguém que exerce o cargo e concorre contra si mesmo”, como questionou Júlio Correia, que tem sido uma das vozes que levantou contra o presidente.

Depois das derrotas eleitorais, legislativa e autárquica, estas eleições, assim como o ato de ter colocado o cargo a disposição, pode ser analisado como uma forma  de unir os militantes através do voto, e da oportunidade de saber se preferem continuar com o mesmo líder, ou não.

Estas eleições são significativas para o PAICV porque são decisivas para os próximos anos, assim como para as próximas eleições. O presidente eleito vai ter a tarefa nada fácil de colocar os membros do PAICV sobre a mesma batuta. Vai ter a responsabilidade de criar uma liderança forte para dar luta ao MpD nos próximos quatro anos, ao mesmo tempo que vai cimentando as bases para as próximas eleições.

O anterior presidente do partido, José Maria Neves, sobre a situação do partido diz que “o PAICV deve resolver os seus problemas internos e fazer uma forte oposição ao Governo”. E este desejo pode alastrar aos outros membros. E neste sentido o PAICV não decide somente o seu futuro, mas também decide o presente. O MpD vai governando, com contestação ou não, e ainda vai apenas no primeiro ano. A oposição tem que ser feita no presente, do ponto vista partidário, para não deixar o adversário ganhar mais prestigio, devido a posição de Governo que ocupa neste momento.

Júlio Correia afirmou “que existe uma forte administração do partido, com uma fragilidade de ação política”, o que de certa forma critica a atual liderança, e da forma como tem dirigido o partido. Mas outra vez, volta a questão da união partidária, isto a bem do partido que de uma forma ou de outra, vai dividir durante as eleições. Agora resta saber se vai conseguir juntar os cascos e voltar a ter a unidade desejada.

“Se fosse possível uma candidatura consensual estaríamos a perseverar o PAICV”, é desejo do partido, mas, “não tendo nenhum apelo neste sentido, qualquer militante disponível poderá ser um eventual candidato nas eleições diretas do PAICV”.

Agora espera saber se depois das eleições os militantes vão, ou não, estar ao lado do presidente eleito.

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