“Vendo padjinha porque foi a única coisa que encontrei para ganhar dinheiro para sobreviver”

24/01/2017 08:52 - Modificado em 24/01/2017 08:52
| Comentários fechados em “Vendo padjinha porque foi a única coisa que encontrei para ganhar dinheiro para sobreviver”

Quando se fala de drogas, o consumidor tem sido sempre o mais visado. A preocupação é evidente quando se trata de substâncias que podem alterar o estado normal das pessoas. Do outro lado estão as pessoas que vendem droga e as razões para tal, visto que se trata de uma actividade de risco que pode custar a liberdade. Em conversa com algumas pessoas que costumam comercializar droga, falou-se sobre as pessoas que costumam vender cannabis, uma vez que, juntamente com a cocaína, é uma das drogas mais consumidas no país.

Voltando à questão dos vendedores, os mesmos alegam que a procura tem sido muita e com saída.

Mas a questão do porquê da escolha deste meio de vida que pelas conversas não é um “trabalho fixo” visto que há períodos em que precisam de parar durante algum período e, em caso de necessidade, retomar a forma de vida.

A questão da necessidade é uma das razões usadas para justificar a escolha do estilo de vida. E na falta de emprego na ilha, a venda de cannabis tem sido uma saída para se conseguir algum dinheiro. “Vendo porque, neste momento, foi a única coisa que encontrei para fazer”, revela um vendedor que, por razões óbvias, não citaremos o nome devido à pequenez da cidade e da zona. O mesmo conta que vende já há algum tempo mas que faz isso por necessidade porque, como todos, “tem de ganhar para sobreviver”.

Outro vendedor conta que ficou muito tempo sem trabalhar e a única solução que encontrou foi começar a vender. Não diz que é uma vida estável, pois com a cannabis não se ganha muito, mas “dá para passar o dia”.

Pelas contas feitas se um “taco”, quantidade a vender para se fazer um cigarro de cannabis, custa cinquenta escudos, se conseguir vender no mínimo dez, num dia são quinhentos escudos. Para aspirar a mais, teria de vender mais. Mas, com outro cidadão, diz que se conseguisse fazer quinhentos escudos todos os dias estaria contente e menos preocupado. No entanto, os mesmos entrevistados admitem que nem todos os que vendem têm as mesmas histórias de vida, a mesma necessidade, mas é o que tem sido a saída para muitos.

Não é apenas o único com história por trás da venda. A história como falta de emprego, necessidade de sustentar a família, está relacionada com a questão da venda. Algo que tende a superar o risco. “É arriscado claro porque temos de ter cuidado já que a cannabis não é legal mas, mesmo assim, ninguém quer ir preso por tentar sobreviver”. A questão da sobrevivência tem sido a máxima usada para desafiar o risco de se ser apanhado pela polícia. “Estamos apenas a procurar uma forma de sobreviver, porque se não há trabalho, procuramos e não encontramos, temos de encontrar uma solução e, às vezes, não é a melhor”, diz outro cidadão que optou por esse caminho mas que diz que não o aconselha a ninguém.  

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.