Carlos Araújo: o Usain Bolt do atletismo para-olímpico cabo-verdiano

19/01/2017 07:05 - Modificado em 19/01/2017 17:41

Carlos Araújo, de trinta anos de idade, é natural de São Vicente, da zona piscatória de São Pedro, onde vive com a mulher e duas filhas. Recentemente, Carlos Araújo conseguiu um tripleto na Cidade da Praia: primeiro, no dia nove de Dezembro, venceu a corrida do Campeonato Nacional Para-Olímpico, alcançando o primeiro lugar nos três mil metros e segundo classificado nos cem metros. No dia trinta e um do mesmo mês, venceu a Corrida de São Silvestre e, recentemente, no dia 13 de Janeiro, a Corrida da Liberdade, onde já vai no pentacampeão.

De regresso à ilha de São Vicente, o atleta para-olímpico abordado pelo NN aponta que “estava preparado para uma corrida internacional em Angola (Taça Luini), mas como me disseram que não organizaram a corrida e, como me sentia muito bem preparado, fui para a Cidade da Praia com o objectivo de participar e vencer todas estas corridas. Consegui vencê-las e atingir o meu objectivo delineado à partida, sentimento de missão cumprida”.

O atleta para-olímpico revela as dificuldades de ser de uma zona piscatória e viver longe da cidade. “Sou de uma zona piscatória. É muito difícil para um atleta, é muito sacrifício. Tens de ter apoios, patrocínios senão nada feito porque tenho de ir treinar todos os dias na cidade e ter dinheiro para pagar o transporte de ida e volta”.

“Tenho a minha própria família, mulher e duas filhas e estou sem trabalho neste momento e é um pouco complicado, ainda mais para um atleta para-olímpico”, realça.

O atleta treina todos os dias e o processo é feito à distância, ou seja, o seu treinador residente na Cidade da Praia, envia-lhe os planos de treino e, juntamente com os outros colegas que são todos atletas olímpicos, executam-nos nos treinos.  

O atleta representa as cores do Mindelense e, como diz, “tenho o patrocínio do CS Mindelense, clube que represento. Eles apoiam-me muito naquilo que conseguem. O Mindelense ajuda-me na alimentação, ajuda-me quando tem competições nas outras Ilhas. É um orgulho enorme para mim estar a representar uma instituição, um clube como o Mindelense e, vestindo o seu equipamento, sinto-me lisonjeado e muito forte nas competições”.

O grande fã do atleta e em quem se inspira é outro atleta cabo-verdiano mas olímpico. Como aponta, “inspiro-me no Adilson Spencer que é para mim o melhor atleta de todos os tempos aqui em Cabo Verde, por isso, é a minha referência. Até poderia dizer que sou fã de Bolt, Bekele, Mufara, os melhores do mundo, mas não, sou fã do Adilson Spencer atleta que conheci. Convivemos juntos numa casa durante nove meses. Tenho orgulho em falar dele e respeito-o muito e aprendi muito com ele”.

Numa carreira já cheia de sucessos e conquistas, o atleta conta no seu palmarés com vários títulos nacionais e, neste momento, detém os títulos de campeão de Cabo Verde nas seguintes categorias: três mil metros, oitocentos metros, cinco mil metros, dez mil, quinze mil.

Para Carlos, o segredo do sucesso está no treino e no respeito e, como diz, “treino de forma séria; não brinco nos treinos; treino juntamente com atletas olímpicos. Respeito todos os meus adversários, sejam eles para-olímpicos ou olímpicos. Consegui ter o respeito dos atletas olímpicos e todos me respeitam como também os respeito”.

Para o futuro, Carlos já tem no horizonte duas possíveis deslocações: a primeira à ilha de Santo Antão onde sexta-feira 20 vai participar, pela primeira vez, numa corrida de corta-mato na Cidade da Ribeira Grande (Povoação). “Será uma prova muito exigente onde vamos encontrar muitos obstáculos: pedras, lama, cascalhos, etc. Nunca participei numa corrida do género, mas vou para uma nova experiência e, se conseguir vencer, melhor ainda”, afirma.

Até finais do mês de Janeiro (28) poderá ainda fazer uma viagem à capital do país para a Corrida de Berço (percurso Praia – Cidade Velha). Este já é mais complicado e, como realça, “ainda não decidi se vou competir, porque estou à espera de ver se aparece patrocínio da passagem para poder ir”.

Carlos revela o seu maior sonho. “O meu sonho é chegar nos Jogos Olímpicos e, para isso, tenho de ter um bom patrocínio para poder treinar no estrangeiro juntamente com atletas internacionais. Isto é, para poder alcançar o mínimo para poder ir aos Jogos Olímpicos”.

O facto é que esteve perto de alcançar tal proeza. “Fui para os Jogos Africanos para fazer o mínimo para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, sofri uma pequena lesão e, por isso, não consegui alcançar o mínimo. Mesmo assim, fiquei perto de conseguir. Tenho fé que algum dia hei-de lá chegar”.

Fotos: Fernando Tavares (Facebook)

  1. Fernando Tavares

    Bom dia, agradeço que a 3ª imagem que usaram referente à corrida da Liberdade 2017, seja reposta na totalidade, sem cortes. A manter a versão actual, agradeço que referenciem a autoria. Respeito e ética nunca fizeram mal a ninguém, e até ajuda a fazer bom jornalismo. Muito obrigado e sempre à disposição para ceder imagens, gratuitamente ou por venda, visto que é a minha profissão. Cordiais cumprimentos, Fernando Tavares.

  2. Fernando Tavares

    Após rectificação, podem apagar o meu comentário.

  3. Fernando Tavares

    Agradecido.
    Apenas a 3ª foto é minha.
    Até à próxima e que seja para vos fornecer imagens a pedido.
    Cumprimentos.

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