PR pede às Forças Armadas que reforcem relações com a sociedade

16/01/2017 07:38 - Modificado em 16/01/2017 07:38
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Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, pediu hoje às Forças Armadas cabo-verdianas que adotem uma “atitude e medidas” que reforcem as relações com a sociedade, numa “simbiose permanente” baseada no respeito e na confiança.

“Um importante aspeto a ter sempre em conta é o relacionamento que deve ser o mais cordial e respeitoso possível, com a sociedade”, sustentou Jorge Carlos Fonseca, que discursava, na cidade da Praia, no ato comemorativo do 50º aniversário das Forças Armadas cabo-verdianas.

Segundo o chefe de Estado cabo-verdiano, as relações das Forças Aramadas com a sociedade devem ser reforçadas, nomeadamente com a realização de atividades militares e desportivas, com a participação da população e da sociedade civil.

Os 50 anos assinalam o dia em que, em 1967, em Cuba, os elementos do núcleo fundador das Forças Armadas de Cabo Verde prestaram juramento perante o líder histórico da Independência Amílcar Cabral.

Em 1988, o Governo fixou o dia 15 de janeiro como Dia das Forças Armadas cabo-verdianas.

Para o Presidente da República, que é também Comandante Supremo das Forças Armadas, a instituição castrense tem “correspondido às obrigações”, apesar de considerar que ainda existem “dificuldades e limitações”. 

Jorge Carlos Fonseca disse que vai continuar a empenhar-se para que sejam criadas condições que assegurem que o processo de reestruturação e modernização das Forças Armadas atinja os objetivos preconizados, bem como para a profissionalização de Praças, Sargentos e Oficiais.

“O objetivo desse processo é contribuir para que cada membro das Forças Armadas, mais do que um cidadão fardado, seja um verdadeiro profissional pronto a cumprir escrupulosamente a sua nobre missão”, sublinhou.

O mais alto magistrado da Nação cabo-verdiana pediu ainda que sejam adotadas “medidas concretas” no sentido do cumprimento do Serviço Militar Obrigatório. 

As Forças Armadas cabo-verdianas assinalam este ano o 50º aniversário após 2016 ter ficado marcado pela morte, em abril, de oito militares e três civis, no posto de Monte Tchota, interior da ilha de Santiago, às mãos de um soldado do mesmo destacamento.

O incidente pôs a descoberto as fragilidades da instituição, nomeadamente ao nível das comunicações, dos critérios de recrutamento e das condições nos quartéis.

O Chefe de Estado Maior das Forças Armadas (CEMFA), Anildo Morais, que assumiu o comando da instituição após os acontecimentos de Monte Tchota, disse que as Forças Armadas enfrentaram e estão a ultrapassar essa situação. 

“O ano de 2016 ficou marcado pelos acontecimentos de Monte Tchota que abalaram o país e as estruturas das Forças Armadas. Contudo, com a força anímica que carateriza os militares, temos vindo a enfrentar esta situação e, hoje, sentimos que estamos a ultrapassar essa grande dor”, sustentou.

Anildo Morais caraterizou os 50 anos das Forças Amadas cabo-verdianas como um “marco histórico” para a instituição e para o país e considerou que “se cumpriu” o juramento dos elementos do núcleo fundador. 

Quanto aos desafios do futuro, apontou a nova reestruturação, com melhorias na gestão dos recursos humanos e revisão do Estatuto dos Militares, melhoria das condições de vida e de trabalho e dotar as Forças Armadas de maiores capacidades operacionais. 

Afirmando que as Forças Armadas vão continuar a ser um instrumento do esforço coletivo e de reforço da unidade nacional e da democracia, o CEMFA disse, porém, que é preciso o “esforço ativo e permanente de todos” para que o país seja cada vez mais seguro. 

O ato central das comemorações do 50º aniversário das Forças Armadas cabo-verdianas foi realizado na Avenida Cidade de Lisboa, a maior da cidade da Praia, e na presença das mais altas entidades do Estado, corpo diplomático, militares na reserva e na reforma e muitos civis.

A cerimónia, em que o Presidente da República condecorou alguns militares, terminou com um desfile dos mais diversos ramos das Forças Armadas cabo-verdianas, acompanhados por um grupo da marinha brasileira, convidado especial nas comemorações.

 LUSA

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