Artesão de Chã das Furnas inspira-se em materiais provenientes da natureza para criar os seus produtos

12/01/2017 08:07 - Modificado em 12/01/2017 10:06
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Silvino Delgado tem 41 anos de idade, Chã das Furnas, Concelho da Ribeira Grande, trabalha como calceteiro (empedrador), mas também é artesão, uma profissão que abraçou a partir dos 38 anos de idade.

Em entrevista ao NN, Silvino diz que “comecei a produzir os trabalhos para alguma exposição em feiras depois de completar 38 anos. Antes dos 38 anos, fazia alguns trabalhos para algumas pessoas: amigos e amigas”.

Silvino aponta que a partir do momento que viu algumas pessoas a interessarem-se e a motivá-lo, decidiu começar a produzir para vender, tendo participado nalgumas feiras em 2015 e 2016. “Muitas pessoas já sabem do meu trabalho e solicitam-me alguns trabalhos que lhes interessam. Algumas visitas que vêm para a zona também levam. Os produtos encontram-se no jardim infantil.”

Silvino diz ser um apaixonado pela cultura e tradição do nosso país. “Gosto de trazer a tradição do nosso país, da nossa Ilha e, sobretudo, das nossas localidades. Por exemplo, produzo casinhas de palha, pilões, cinzeiros, quadros com a representação das dez ilhas, bandejas, tubarões, tartarugas, etc. Os tubarões e as tartarugas estão esgotados neste momento. A maioria dos meus trabalhos é de pedra porque tenho uma grande paixão por essa matéria-prima. Faço quadros onde utilizo pedras para representar as dez Ilhas de Cabo Verde. Na nossa localidade há uma zona chamada «celada» onde existem algumas pedras e eu escolho aquelas que têm formato parecido com cada Ilha. Também utilizo troncos de bananeiras secas, areia, caniço, casca de coco, chifres, santa clara, dragoeiro entre outras matérias-primas que nós temos na natureza”.

Refere que o cartão também é um bom material, ou seja, a reciclagem tem grande importância para ele e, principalmente, as casinhas de palha que faz, porque como diz, “fazendo as casinhas com o cartão, forro-as com pedras, dando a aparência de uma casa antiga. Uma casinha dessas leva quase dois dias de trabalho porque tem de haver muito trabalho e cuidado”.

Silvino afirma que utiliza apenas matérias-primas provenientes da natureza e que algum dia está a pensar em fazer uma escultura de pedra devido ao seu enorme amor pela pedra.

Apesar de estar há pouco tempo no mercado, ou seja, de ser conhecido pelas pessoas no que faz, as instituições como a Ministério da Agricultura, a OMCV, entre outras que sabem que é artesão, convidam-no sempre que há alguma feira. Apesar disso, tem um sonho. “Tenho um sonho que é o de algum dia ir apresentar os meus produtos noutras ilhas. Recebi um convite em 2016 da FANISA para uma exposição na Ilha de São Vicente mas só que as condições que colocaram não convinham, por exemplo, pagar transporte, alojamento, alimentação e, só me mostrariam onde iria expor os produtos. Na altura, estava sem trabalho, porque sou calceteiro e, quando não há trabalho, fico em casa e é aí que aproveito para fazer os meus produtos”.

Apesar dos muitos trabalhos já efectuados, afirma que não tem uma boa saída dos produtos. “A saída é mais ou menos. No meu caso, como artesão, tenho uma família e se disser que vou sustentá-la com a venda dos meus produtos estaria a mentir. Porque estou em Chã das Furnas e na Ilha de Santo Antão. Sempre almejei ir para o centro da Ribeira Grande e alugar um espaço para colocar os meus produtos para vender, mas não o faço porque o dinheiro para pagar a renda não irá chegar”. Termina dizendo que “a saída dos meus produtos não é frequente. Se uma pessoa souber que tenho tal produto e que lhe interessa, então compra, mas a saída é muito lenta”.

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