Obama defende legado e não evita as lágrimas na despedida

11/01/2017 07:44 - Modificado em 11/01/2017 07:44

Centro de congressos de Chicago, 20 mil pessoas nas bancadas para assistir ao último discurso de Barack Obama, antes de, dentro de 10 dias, deixar de ser presidente dos Estados Unidos. Mas há quem não queira de aconteça e no público começou-se a cantar «mais quatro anos, mais quatro anos!».

«Não posso fazer isso», sorriu Obama, durante uma comunicação de 54 minutos em que quis agradecer ao povo americano e falou nos objetivos cumpridos em 8 anos de mandato – o casamento aberto a pessoas do mesmo sexo, o crescimento do emprego, os seguros de saúde, a aproximação a Cuba, a morte de Bin Laden. Pediu, também, que a «política reflita a decência do seu povo».

«Conversar com todos vocês ao longo destes anos manteve-me motivado e inspirou-me. Aprender convosco fez de mim um melhor presidente e um homem melhor», começou, referindo que muitos dos objetivos atingidos podem ter sido considerados demasiado ambiciosos no início.

Sublinhando os valores de democracia e tolerância, abordou a transferência de poder, tendo de falar acima dos únicos apupos da noite: «Dentro de 10 dias o mundo vai assistir a uma das bases da democracia – a pacífica transição e poder de um presidente democraticamente eleito para outro. Garanti ao presidente eleito que a transição seria o mais suave possível, tal como o presidente Bush fez comigo. O futuro está nas nossas mãos. Mas esse potencial que temos só será realizado se a democracia funcionar. Se a nossa política refletir a decência do nosso povo. Se todos, independentemente da filiação política, ajudarem a restaurar o sentido de objetivo comum.»

«Quebrar a bolha e falar com pessoas reais»

Mas nem tudo está bem e Obama pediu que cada um se tente relacionar um pouco mais com o outro. «Todos temos que nos esforçar mais e partir da premissa de que cada um de nossos concidadãos ama este país tanto quanto nós. Para muitos, tornou-se mais seguro recolher-se dentro da sua própria bolha, cercados por pessoas com quem se parecem. Mas se estão cansados de discutir com desconhecidos na internet, então vão falar com uma pessoa na vida real», alertou, deixando claro que é preciso rejeitar a discriminação a muçulmanos e imigrantes, afirmando que isso vai contra os verdadeiros valores da América.

O presidente também incentivou os cidadãos a participarem mais ativamente da vida pública. «A América não é uma coisa frágil. Mas o que ganhámos ao longa da jornada até a liberdade não estão assegurados. Apesar de todas as nossas diferenças externas, nós, na verdade, dividimos todos o mesmo título orgulhoso: cidadãos. A nossa democracia é ameaçada quando a tomamos por garantida. Todos devemos lançar-nos na tarefa de a construir, numa altura em que o número de votantes está a descer, devíamos fazer com que fosse mais fácil votar», sublinhou.

A emoção, e mesmo as lágrimas, veio na hora de falar na família. «Michele: nos últimos 25 anos não foste só a minha mulher e mãe dos meus filhos, mas também a minha há melhor amiga. Assumiste um papel que não pediste, mas nestes anos tornaste-o teu, com estilo e bom humor. Fizeste da Casa Branca um lugar onde toda a gente se sente bem. E muita gente tem hoje grandes objetivos por te ter como seu modelo.»

Palavras emocionadas também para o seu vice, Joe Biden. «Foi minha primeira escolha como candidato e a melhor. Não apenas porque foi um grande vice-presidente, mas porque, neste processo, eu ganhei um irmão.»

E terminou com o slogan de campanha que o elegeu há oito anos, dando um empurrão final para os quatro anos que se seguem ao repetir o slogan: «Sim, podemos; sim conseguimos. sim, podemos».

 

abola.pt

  1. Augusto Galina

    O Presidente Obama vai deixar saudades.

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