Mário Soares um politico da liberdade universal que foi contra o direito a independência de Cabo Verde

10/01/2017 07:52 - Modificado em 10/01/2017 07:52
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Numa entrevista à inforpress, o analista político Corsino Tolentino que foi Embaixador de Cabo Verde em Portugal durante o consulado de Mário Soares, afirma que o ex-Chefe de Estado português falecido no sábado manteve um distanciamento em relação ao nosso país. E mostra que durante os dez anos em que foi Presidente da República e nos outros tantos como Primeiro-ministro, visitou Cabo Verde apenas uma vez. Para Corsino Fortes, este distanciamento tem a ver com o facto de que “Mário Soares era um político da liberdade universal, mas tinha a visão do mundo que excluía, por exemplo, categorias como a africanidade e a independência de Cabo Verde”. Sustenta que “Cabo Verde, da independência a Janeiro de 2017, revelou duas características de Mário Soares: não esteve só, quando não acreditou na viabilidade de Cabo Verde independente, mas disse-o; por outro lado, quando se convenceu, também o disse, publicamente. Mário Soares era assim, não esperava conhecer o pensamento dos outros interessados para afirmar o que ele próprio pensava disto ou daquilo”.

Sobre este “distanciamento” de Mário Soares em relação a Cabo Verde, o analista político teceu as seguintes considerações: “O distanciamento de Mário Soares em relação a Cabo Verde, se existiu, era assumido e incómodo. Tenho por mim que aquela nossa atitude de desafiarmos tudo e todos em defesa das nossas próprias responsabilidades patrióticas surpreendeu muita gente e eram-lhe particularmente incómodas. Era um político da liberdade universal, mas tinha a visão do mundo que excluía, por exemplo, categorias como a africanidade e a independência de Cabo Verde”.

Entre 1981 e 1984, Corsino Tolentino foi Embaixador de Cabo Verde em Lisboa e, nessa ocasião, Mário Soares liderava o governo do bloco central dos partidos PS e CDS.

Perguntado como é que o antigo estadista português olhava para o arquipélago como país independente, afirmou que a relação com aquele “era cordial”. Acredita que nessa altura Soares “já aceitava emocionalmente Cabo Verde entre os países soberanos. Apesar disso, uma coisa nunca lhe entrou na cabeça: a crioulidade, significando Europa, África e Mundo”.

Fonte : inforpress

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