Naufrágio Navio Vicente: Dois anos de perda, frustração e revolta

9/01/2017 07:34 - Modificado em 9/01/2017 07:34
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Sobreviventes e familiares das vítimas do naufrágio do Navio Vicente envoltos em sentimentos de perda, de frustração e de revolta após se completarem dois anos do trágico acidente que vitimou onze pessoas e deixou várias crianças órfãs e famílias sem amparo.

O navio “roll on roll off” Vicente que pertencia à Companhia Tuninh, afundou no dia 08 de Janeiro de 2015, por volta das 22 horas, nas imediações do Porto do Vale dos Cavaleiros, na ilha do Fogo. A embarcação provinha  da cidade  da Praia, transportava cargas e tinha 26 pessoas a bordo com destino à ilha do Fogo.

Segundo os relatórios apresentados, as causas do naufrágio estão na sobrecarga do navio e na negligência grosseira do comandante. O falecido comandante do Navio Vicente foi o único culpado pela tragédia. Portanto, o processo foi arquivado pelo Ministério Público que considerou o comandante como o autor material e singular de crimes de homicídio negligente.

Quinze pessoas perderam a vida e várias famílias ficaram desamparadas. Os familiares das vítimas viveram durante alguns meses exclusivamente de cestas básicas fornecidas pela Câmara Municipal de São Vicente. O desfecho do caso surpreendeu os sobreviventes, familiares e amigos das vítimas do naufrágio que consideram o arquivamento uma injustiça.

Dois anos após o naufrágio, os familiares entrevistados pelo NN dizem-se frustrados e revoltados, pois esperavam, por uma vez, uma outra postura por parte das autoridades competentes. Aricson Fonseca, um dos sobreviventes do naufrágio, perdeu o padrasto, amigos e o emprego.

O entrevistado diz-se frustrado e revoltado, pois as famílias continuam abandonadas à própria sorte. Passado todo este tempo, tem apenas uma certeza: se tivesse poder de decisão, o navio não teria partido do Porto da Praia”.

Dirce Nascimento era assistente de bordo no Navio Vicente e ficou desempregada na sequência do naufrágio. Depois de dois anos do naufrágio, a jovem mãe e sobrevivente, ainda vive traumatizada.

Para os entrevistados, tirando as promessas, quase nada foi feito por parte do Governo no sentido de minimizar o sofrimento dos familiares.

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