Álcool/ Beber ou não beber: muitas vezes uma questão de vida ou morte

5/01/2017 07:10 - Modificado em 5/01/2017 07:12
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O problema do alcoolismo é uma questão que vem preocupando as autoridades nacionais e os responsáveis pela saúde. Uma preocupação generalizada mas maior nas zonas onde as taxas de consumo do álcool são mais elevadas, como na ilha de Santo Antão e de São Vicente. Em 2013 os dados apontavam que oitenta e quatro por cento dos sãovicentinos já experimentou bebidas alcoólicas e que cerca de doze por cento já fumou “padjinha”. Aliada ao factor cultural, a luta parece não dar tréguas.

Mindelo é conhecida como a capital da cultura e, como alguns dizem em relações às festas da ilha, “sai um e entra outro”. Um bom exemplo é que ainda nem se terminou de festejar o ano novo e o ciclo carnavalesco já vai iniciar. E o consumo do álcool nestas festas sofre um aumento, como já é do conhecimento dos responsáveis.  

A lei mais conhecida que proíbe a venda de álcool a menores não tem sido desencorajadora para o uso do álcool por parte dos menores. Em conversa com um dos responsáveis do Centro de Apoio Psicossocial da Ribeira Bote, umas das dificuldades sobre o consumo do álcool tem a ver com a questão cultural. As bebidas usadas para curar doenças ou como incentivo aos menores para experimentarem. Lidando com a situação de casos de dependência, o Centro conhece muito bem o dia dos que são perseguidos por este pesadelo e que não se conseguem livrar.

A preocupação aumenta quando o primeiro contacto acontece nas escolas.

A anterior Ministra da Saúde, Cristina Fontes Lima, aquando da validação do plano estratégico do combate ao alcoolismo afirmou: “Temos de ter um limite das coisas para termos estilos de vida saudáveis e ter uma ideia moderna do se ser feliz e de comemorar”. A questão é que o álcool tem feito parte das comemorações. A venda de bebidas a menores nos bares e balaios, não tem ajudado. Já é normal, nos fins-de-semana, ver jovens menores com o copo nas mãos.

Como solução na altura, Lima sugeriu que “o caminho que temos de fazer é tentar trabalhar nesses códigos que estão a ser seguidos pela nossa sociedade para mudarmos o nosso comportamento e a nossa relação com o divertimento, com o álcool e com o convívio”.

As políticas seguidas pelo Governo na certificação do grogue, têm-se focalizado nalgumas medidas para a melhoria da qualidade. Campanhas de sensibilização têm sido uma constante e a forma mais utilizada para ajudar as pessoas a conhecerem os riscos do uso exagerado. Em 2016, a taxa de alfabetização em Cabo Verde foi considerada satisfatória. Na faixa etária dos 15 aos 24 anos a taxa residual é de cerca de dois por cento, dos 15 aos 64 anos temos uma média de dezoito por cento, e a taxa maior foi na faixa etária dos 65 anos. Então não será por falta de conhecimento. E como já alguns diziam “o conhecimento está em todo o lado”.  

A questão da supervisão tem sido uma das medidas utilizadas para combater o problema. Mas, o consumo, apesar de poder acontecer em grupo, é uma manifestação de uma vontade pessoal. O Governo no seu plano multissectorial para o problema, no preâmbulo, escreve que “é uma das práticas mais enraizadas na sociedade cabo-verdiana”, dando ênfase à dificuldade no combate ao problema. Uma questão pessoal que ainda mantém a necessidade de uma supervisão.

Um dos pedidos dos que lidam com a problemática são políticas mais assertivas e que tenham impacte directo nas pessoas. A juventude tem sido a grande preocupação e a pouca supervisão durante as festas faz com que a problemática continue. Os fins-de-semana na ilha são movimentados e a supervisão é necessária não só para o controlo de quem bebe, mas também de quem e onde se vendem bebidas.

A proliferação de bares tem criado grandes problemas. A escolha de beber ou não, como já dito, é da responsabilidade de cada pessoa. Mas os agentes auspiciam por medidas que possam ajudar deveras na luta contra o problema, uma luta antiga.

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