Santo Antão: Professor do EBI trabalha há 27 anos sem progressão ou reclassificação

5/01/2017 07:07 - Modificado em 5/01/2017 07:07

João Ribeiro Gomes, de 47 anos de idade, é professor do EBI desde 1990 e, actualmente, lecciona no Pólo Número 7 da Ribeira Grande situado em Lombo Branco Leste, pelo que já tem quase 27 anos de carreira. Mostra-se indignado e insatisfeito com a forma como o Ministério da Educação tem agido ao longo dos anos acerca da progressão, redução da carga horária e reclassificação, pelo que se sente prejudicado.

Em entrevista ao NN, João Ribeiro diz que “em 2017 cumprirei 27 anos de trabalho e ainda não sou um funcionário do quadro: é incrível acreditar nisso, mas realmente é. Os professores trabalham 32 anos, o que quer dizer que já estou quase reformado sem ainda entrar no quadro”.

João afirma que ainda não teve nenhuma progressão, “isso significa que nunca mudei nenhuma «letra» e as carreiras são importantes para qualquer funcionário; ainda estou sem fazer carreira: há uma grande injustiça no seio do Ministério da Educação”.

Numa carreira com muitos anos de caminhada, sente ingratidão por parte do Ministério da Educação e realça: “O Ministério da Edução é um Ministério que trabalhou sempre injustamente porque nunca verificou a situação dos seus funcionários. Há pessoas que vêm com progressão todos os anos e fazendo carreira todos os anos, mudando de escalão (A, B, C), mas também há muita gente que não muda e, neste caso é onde me encontro. Se não sou do quadro, quer dizer que não posso mudar e isso significa que me vou reformar sem nenhuma mudança”.

Alude que a lei diz que a mudança é feita apenas de três em três anos com classificação de muito bom. João deixa uma pergunta ao Ministério: “então porque é que há quem mude todos os anos e são sempre as mesmas pessoas?”.

“Meti muitas cartas, documentos há muito tempo e a resposta é sempre «zero». Falei com vários governantes, fiz todo o possível mas sempre foi a mesma coisa: esperar e esperar. Todavia, há pessoas que têm um ano de trabalho e já são do quadro e, eu com 27 anos de trabalho, ainda não sou do quadro. Qual será a leitura disso por parte de algum Ministro que por aí passou e que não tomou as medidas que deveria ter tomado?”.

O professor diz que “a cúpula nunca funcionou. Não há uma subida nem redução do salário por se ser do quadro, mas para qualquer funcionário o seu orgulho é estar no quadro”.

Em 2005 João Ribeiro fez uma formação em São Vicente terminando em 2007 e afirma que “tive sete anos há espera de uma simples reclassificação, enquanto que pessoas mais novas do que eu vieram reclassificadas mas eu não. Isso demonstra uma grande insensibilidade e uma incompetência por parte do nosso Ministério, que trabalha altamente mal, porque não reconhece os méritos dos seus funcionários”.

Acerca da carga horária diz que já tem 27 anos de trabalho pelo que já deveria estar à espera de 30% da redução da carga horária, mas nada foi feito até agora. “Pedi 20% mas nunca tive qualquer tipo de resposta sobre a redução da carga horária. Há centenas de pessoas à espera, mas apanharam os documentos que ficarão retidos na Praia”.

O mesmo pede a quem de direito para fazer algo porque como diz, “não é só prometer, exijo dados concretos. Os alunos não são os culpados, pois eu dei sempre o meu máximo e vou continuar a dar sempre o meu máximo para formar homens e mulheres do amanhã”.

João Ribeiro deixa a seguinte mensagem ao Ministério da Educação: “Não há Ministério da Educação sem aluno, sem professor. A base fundamental de tudo são os alunos, os pais e encarregados de educação, e os professores. Pelo que peço ao Ministério da Educação para rever a situação do professor e, resolver os problemas do professor segundo o mérito do professor ou segundo a sua justiça. Não reclassificar ou mudar de escalão pessoas que já foram mudadas no ano passado, quando a lei diz que apenas deverão ser mudadas de três em três anos e, por fim, reconhecer o trabalho do seu professor”.

  1. Roberto

    força continua ta luta e exigi tudo o que é direito. porque isso é descaramento do ministério e seus colaboradores

    um bom ano
    e que as coisas se resolva

  2. fernanda alves

    CARO AMIGO E COLEGA EU TAMBEM JA LA VOU COM 24 ANOS DE TRABALHO SEM UMA PROGRESSAO NENHUMA JA ENVIEI DOCUMENTOS VARIOS CARTAS EXPOSIÇOES MAS ATE AGORA NADA TENHO .ISTO DEVEMOS CONCORDAR QUE OS TAIS DIREITOS SAO PARA OS APADRINHADOS OU SEI LA COMO CHAMAR ESSAS BROCRACIAS DO PODER.ENQUANTO QUE TEMOS UM SINDICATO QUE E PAGO PARA VER E REVER OS NOSSOS DIREITOS QUANDO NECESSARIO.ONDE ESTAO AGORA AS PROMESSAS DE RESOLVER NO MES DE DEZEMBRO DE 2016???????SERA QUE TEMOS ONDE RECORRER PARA TERMOS O QUE E O NOSSO DIREITO OU ISTO E QUEM DA MAIS??????

  3. É lamentável também como tratava muito mal as crianças, batia impiedosamente nas crianças que estava nas suas mãos para serem educadas com as ‘‘cordas de nervo’’ dobradas, estou a falar de crianças de 7, 8 e 9 anos já la vão 24 anos ,o professor era mau ao bater, parecia um ditador, porém, por empatia rogo que o seu problema seja brevemente resolvido, mas, o professor nunca esqueci-me

  4. Aluna João Ribeiro

    Caro colega e ex.professor. Com muito orgulho que passei pelas suas mãos. Hoje com a mesma carreira profissional, considero uma falta de educação por parte do Ministério de Educação. Alias, posso dizer que há progressão sim, mas para os amigos, padrinhos entre outros familiares dos dirigentes.
    Continua com a sua luta para e um dia vencerás.

  5. Francisco Andrade

    Como falou muito bema professora Fernanda Alves, o SINDEP devia tratar de resolver essa situação, pois este assunto é ” Pra Ontem”.
    pena que temos muitos colegas professores no SINDEP que deixam-se ser levados pela classe política , em não resolver certas situações, e só pensam em si mesmos, e noutros camaradas. sugiro que os professores de Santo Antão a Brava se unem numa mega manifestação,para que o Ministério de educação resolva o quanto antes essas pendências. O bem haja a todos os professores caboverdianos.

  6. Amigo e Vizinho

    É de lamentar uma situação dessas, com tanto tempo trabalhando e nada…..Espero que resolvam isso já……és um excelente Professor, força aí……

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