Casos de suicídio: É preciso fazer alguma coisa

29/12/2016 08:26 - Modificado em 29/12/2016 08:26
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O suicídio de um jovem na ilha de São Vicente, volta a levantar o debate sobre o que é necessário fazer para prevenir estes casos, as orientações bem como uma linha telefónica para a prevenção do suicídio em Cabo Verde.

Muitos criticam a atitude dos jovens. O que é que leva um jovem de 18 anos a cometer um acto de desespero, como tirar a própria vida? O que estão a fazer as instituições para diminuir o número de casos no país, já que o suicídio é considerado como uma das principais causas de morte no país?

Muitos acreditam que o preconceito é um dos principais entraves para ajudar na resolução do problema, isto porque o preconceito ainda existe sobre procurar um psicólogo e um psiquiatra. Mas o preconceito não é apenas de quem necessita, mas vem da própria sociedade que cria estigma e dificulta o desenvolvimento destas modalidades, ou seja, a actuação dos profissionais para o bem da saúde pública do país.

“O tabu sobre o tema do suicídio é um dos principais obstáculos no combate ao problema, mas se for abordado de forma abrangente e com uma estratégia focada na prevenção, é possível enfrentá-lo e conquistar resultados positivos de diminuição no número de casos”, diz Carla Dias, estudante de psicologia, cujo tema final do seu trabalho foi o tema do suicídio.

Se por um lado existem os que defendem a criação, ou melhor, a divulgação e melhor aproveitamento das linhas telefónicas de apoio à prevenção do suicídio, muitos são os que não acreditam na eficácia destes números que, bem aproveitados, poderiam servir de alívio para muitas “almas” necessitadas, que na ocasião podem estar a precisar de uma palavra de incentivo. “Em momentos de crise, quer-se um ombro, uma voz que não nos julgue”.

Para tal, afirmam que existem organismos de apoio psicológico a vários níveis e diferentes patologias que podem ser, eventualmente, identificadas como agentes para o suicídio. “Um suicida não avisa que vai cometer o acto. Há sim sinais que nos podem levar à tal conclusão/prevenção mas nada de determinante”.

Paula, que já trabalhou como telefonista numa linha de apoio na Europa, garante que grande parte das vezes não se sabe se depois da conversa com o indivíduo este/a vai ou não concretizar o acto, mas consegue-se identificar através da conversa e muitas vezes ouve-se o desespero na voz da pessoa e tenta-se ajudar, com uma conversa de foro emocional e não psicológico, o que em muitos casos é bem útil. “Possibilidade de ser ouvido é, na grande maioria dos casos, condição suficiente para evitar que tragédias possam acontecer”, conclui.

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