2016/acontecimento do ano: Massacre do Monte Tchota

29/12/2016 07:59 - Modificado em 29/12/2016 07:59
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As vitórias do MpD nas eleições legislativas e autárquicas e a vitória do candidato presidencial que o partido apoiou, seriam o acontecimento do ano se um demente que deixaram entrar nas Forças Armadas não tivesse matado onze pessoas num destacamento militar. É um acontecimento macabro que não vai marcar apenas 2016 mas a história de Cabo Verde: basta dizer que nessa noite de 25 de Abril de 2015 no Monte Tchota morreram mais militares cabo-verdianos que durante a guerra de guerrilha nas matas da Guiné-Bissau. Recordamos os factos:

Familiares do militar suspeito de matar 11 pessoas em Cabo Verde disseram à agência Lusa que na origem das mortes poderão estar alegados maus-tratos de que o jovem seria alvo no destacamento militar de Monte Tchota. O familiar que não se identificou disse que o suspeito lhe confessou que atirou contra os oito colegas porque tinha sofrido maus-tratos por parte deles. Em relação aos três civis, disse que os matou porque queria o carro deles para fugir, mas estes resistiram, por isso, disparou também. Confirmou à Lusa que nesse dia, segunda-feira, 25, o primo saiu do local e nessa noite dormiu em casa, no Palmarejo, onde lhe mostrou fotografias dos corpos que tirou com o telemóvel.

De acordo com a investigação realizada pelo NN, o soldado suspeito de ter assassinado onze pessoas no destacamento militar do Monte Tchota, na ilha de Santiago, esteve de sentinela na noite de domingo para segunda. Tudo indica que terá sido nessa altura que se dirigiu para a caserna e eliminou os oito militares que se encontravam deitados.

Este dado faz sentido mediante as informações que o NN sabe que foram prestadas pelo guarda da casa da Presidência da República que fica a 1 quilómetro do destacamento. Este terá informado que ouviu tiros por volta das 10 horas da manhã de segunda-feira, 25.

Este online sabe que o responsável da residência Quinta da Montanha ligou na terça-feira de manhã para o guarda da residência do PR para perguntar se este sabia do paradeiro de três técnicos que tinham ido no dia anterior fazer um trabalho no destacamento. Isto porque do hotel da cidade da Praia, onde estas três pessoas estavam hospedadas, tinham-lhe telefonado a dizer que as mesmas não tinham regressado ao hotel durante o dia de segunda-feira. O responsável da Quinta da Montanha terá sido informado pelo guarda que “na segunda-feira de manhã viu um carro de cor branca a passar a toda a velocidade”.

Manuel António Silva Ribeiro, mais conhecido por Entany Silva, e cujos familiares são naturais da ilha do Fogo (São Filipe), nasceu a 09 de Junho de 1993 no bairro praiense do Palmarejo, mas cresceu no Paiol do Coqueiro.

Segundo quanto contou à Lusa o padrasto Albertino Pires, a mãe de Entany vive nos Estados Unidos há 16 anos e o pai que cuidava do filho morreu em 1998, quando este tinha cinco anos.

Depois de terminar o 12º ano, Albertino Pires recordou que tentou arranjar trabalho a Entany numa empresa de segurança, mas este queria era mesmo ir “para a tropa” e foi como voluntário a 02 de Maio do ano passado, faltando pouco mais de dois meses para completar os 14 meses de serviço militar.

Albertino Pires, que mora no bairro da Bela Vista, contou ainda que Entany tinha o sonho de ir para os Estados Unidos e já tinha todos os documentos necessários, estando apenas à espera de uma petição e de sair da tropa.

O familiar descreveu Entany como uma pessoa “calma” que conversava pouco, a não ser com os amigos mais próximos.

“Ele tinha um comportamento normal, sem sinais de agressividade”, prosseguiu o padrasto, dizendo que às vezes visitava Entany na casa do Palmarejo alugada por uma avó e onde vivia com uma irmã de 19 anos.

Manuel António Silva Ribeiro foi hoje detido pela polícia cabo-verdiana e deverá ser presente a Tribunal no prazo de 48 horas após a detenção para conhecer as medidas de coacção.

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