Natal sem álcool: o desafio

27/12/2016 08:16 - Modificado em 27/12/2016 08:16
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Na quadra natalícia já são costume os jantares e festas terem uma dose de álcool a acompanhar. Se por um lado estão os que fazem do consumo do álcool uma tradição para comemorar a quadra, do outro, estão os que já sofreram com o vício do álcool, pelo que a quadra constitui não apenas um desafio, mas também uma oportunidade de se oporem ao vício que lhes fez perder oportunidades e momentos durante a vida.

A Associação Nova Esperança é um grupo composto, na sua essência, por pessoas que sofreram o vício de drogas e álcool e que agora estão em recuperação, e juntos tentam recuperar e voltar à vida normal, longe do vício. A Associação surgiu em 2012 e o objectivo foi não só o de juntos vencerem o vício, mas também de proverem ajuda àqueles que tentam lutar contra o vício. Hoje, cerca de quarenta pessoas fazem parte do grupo.

“Nesta quadra festiva as pessoas vivem através do consumo. Mas tem sido sempre assim porque sai Natal entra Carnaval, sai Carnaval entram as romarias, acabou uma festa outra começa. O que vejo são jovens a entrarem no consumo mais cedo. O nosso objectivo é demonstrar que não é preciso nenhuma substância, nem álcool ou drogas, para nos divertirmos”, avança Alfredo Cansado, Presidente da Associação.

A necessidade das pessoas de se sentirem “soltas” através do álcool, para Alfredo, é uma má opção que pode levar à dependência.

O Presidente mostra-se preocupado com o consumo, pois da sua experiência tem visto muitos jovens a dependerem do álcool. Conta que a Associação já tem lidado com jovens dos dezanove aos catorze com problemas de alcoolismo. E não são só os jovens; fala também da questão do consumo exagerado no âmbito feminino.

“O consumo é bastante exagerado, principalmente, na camada feminina. É mais escondido e têm complexo de procurar ajuda”, revela. Para Alfredo, não é segredo porque a oferta está em todo o lado.

Alerta para o controlo porque “a dependência não tem cura, mas existe tratamento através da mudança de comportamento e de atitudes”.

A Associação destina-se a pessoas que procuram ajuda para, juntos, conseguirem encontrar o lugar de todos dentro da sociedade. O resultado, segundo o Presidente, tem sido positivo. Os trabalhos não se têm limitado apenas aos membros do grupo mas também, a visitas às zonas com campanhas de consciencialização. Sublinha que têm participado em palestras com depoimentos de pessoas que viveram por muito tempo o problema do alcoolismo.

Pede mais ajuda à sociedade para com a Associação e as pessoas que sofrem de dependência. Em termos de política, o sentimento é que ainda muito precisa de ser feito, “passar dos discursos para a prática”, como diz. E com a nova politica de zero por cento de tolerância, apela às autoridades para fazerem uso da Associação que já tem um trabalho contínuo de apoio às pessoas dependentes.

Uma sede própria é um dos sonhos do Presidente, como oportunidade de prover mais ajuda às pessoas. Este é o apelo que lança às autoridades e à sociedade em geral. Nesta quadra festiva o apelo é o controlo.

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