2016, ano de todas as eleições em que o país ficou pintado de verde…do MpD

22/12/2016 08:11 - Modificado em 22/12/2016 08:11
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2016 fica conhecido como o ano de todas as eleições. As três eleições, legislativas, autárquicas e presidenciais definiram o quadro político para os próximos anos. O MpD foi, sem dúvida, o grande vencedor voltando ao poder após quinze anos. Além da vitória nas legislativas, conseguiu dezanove câmaras dos vinte e dois municípios do país.

Não é apenas a vitória do MpD mas, também, a forma como venceu. Conseguiu uma maioria no Parlamento que lhe dá espaço para governar à vontade, sem necessitar de entrar em negociações com as outras bancadas. O plano estratégico para a próxima legislatura passou com os votos a favor do MpD e da UCID que argumentou que só poderia pedir justificativas das políticas se votasse a favor. E o Orçamento para o ano de 2017 foi aprovado apenas com os votos a favor do MpD.

De um lado, a vitória do MpD, enquanto que do outro, uma estrondosa derrota do PAICV. O partido fez uma renovação partidária com uma nova líder, Janira Hopffer Almada. E sentiu na pele o que já havia sido apregoado, o desgaste governativo do PAICV. A líder apostou durante a campanha, na continuidade do trabalho do Governo anterior, mas a mensagem não encontrou eco na maioria dos que foram às urnas.

Além das legislativas, os resultados das eleições autárquicas registaram o aumento do descalabro do partido, tendo perdido câmaras para a concorrência, saindo desta forma o MpD mais forte nas autárquicas. A mensagem de oposição de um mesmo Governo da mesma cor de um poder local, por parte do PAICV, não teve a aprovação da maioria das pessoas.

A derrota nas legislativas levou a Presidente Janira Hopffer Almada a colocar o cargo à disposição. Um rude golpe quando tinha menos de um ano à frente dos destinos do PAICV.

Os Bastidores

Não foram apenas as eleições que tornaram o ano político “interessante”. Os bastidores políticos fizeram escorrer muita tinta. O MpD adoptou um novo método de escolha dos candidatos. E quando anunciou a lista de candidatos, vários nomes opuseram-se às escolhas. A situação da Cidade da Praia é um exemplo: Óscar Santos foi escolhido, enquanto que Alberto Mello, Beta, tinha ganho nas sondagens, o que desencadeou uma cadeia de acontecimentos onde o fantasma de candidaturas independentes começou a pairar sobre o MpD.

Se na Praia os candidatos se uniram, o mesmo não se deu na Boavista e no Tarrafal de São Nicolau o que, de alguma forma, prejudicou os interesses do partido.

O PAICV teve de trabalhar na coesão interna devido a divisões internas. Mesmo tendo custado ao partido admitir, a divisão era visível e esta divisão interna provocou a fuga de eleitores para outros partidos, ditando a tal derrota do partido. Depois desta derrota e em Conselho Nacional, o partido decidiu tratar dos assuntos internos em fóruns próprios antes de os levar à comunicação social, numa tentativa de perseverar a coesão interna.

Abstenção

A grande vencedora das eleições foram as abstenções com taxas nunca antes vistas. Nas presidenciais, a abstenção esteve à volta dos sessenta por cento, número que preocupou os responsáveis políticos e as autoridades ligadas ao processo, chegando à conclusão que algo deve ser feito para reverter a situação.

Política em São Vicente

Se o MpD venceu em São Vicente, tanto a nível nacional quanto local, outros pontos precisam de ser evidenciados neste ano de 2016. O primeiro é o crescimento da UCID em São Vicente. A UCID conseguiu ultrapassar o PAICV e surge agora como segunda força política na ilha. Um crescimento que iniciou nas legislativas e ganhou expressão nas autárquicas. Conseguiu eleger três deputados nacionais, quando antes tinha apenas dois e a nível municipal, conseguiu eleger seis deputados quando antes tinha seis, um grande feito para o partido.

A vitória da UCID foi apenas ofuscada pelo MpD que conseguiu uma maioria nas autárquicas tanto a nível da câmara como da assembleia. E, num feito histórico, o MpD conseguiu os nove mandatos disponíveis na CMSV. Neste particular, o PAICV apenas conseguiu eleger quatro deputados municipais, e questões internas podem ter estado na base dos resultados do partido também a nível municipal.

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