Álcool: a dificuldade da luta quando é incentivado culturalmente

21/12/2016 07:11 - Modificado em 21/12/2016 07:11
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O alcoolismo é considerado uma questão de saúde pública. Uma preocupação que as autoridades têm procurado combater, mas que vai subsistindo e traz cada vez mais preocupações. Na conferência promovida pelo INPS sobre o impacte do álcool na saúde, foi mencionado que o alcoolismo constitui uma das patologias mais frequentes na determinação das incapacidades definitivas do trabalho.

O cenário não parece bom quando as pessoas começam a ter contacto com o álcool cada vez mais cedo, como revela a coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-ad), Nídia Lima, instituição que ajuda as pessoas que procuram deixar o vício da droga ou do álcool. O centro presta atendimento a nível psicológico e psiquiátrico, através de terapias de grupo, atendimento personalizado e ainda, como revela, tem feito várias acções de consciencialização nas zonas. Como a idade de início do consumo tende a diminuir, as acções têm visado escolas e jardins infantis.

O centro tem funcionado desde 2009 e tem tido muita procura. A época festiva que agora se aproxima pode ser considerada de risco para as pessoas com problemas com o álcool. A própria quadra instiga ao consumo do álcool e a coordenadora avança que nas épocas como esta que se aproxima, o centro tem muita procura por parte de pessoas que não querem passar as festas com problemas de bebidas e de drogas. São pessoas que apostam na prevenção, tipo de trabalho que o centro tem procurado fazer.

Um trabalho que não tem sido fácil por dificuldades criadas não apenas pelas pessoas, com dificuldade de deixarem o vício, mas também pela própria sociedade. “As pessoas não tomam consciência do problema do alcoolismo que, às vezes, passa por uma questão cultural como se as pessoas fossem incentivadas a começar a beber desde cedo”, avança Nídia Lima. Um exemplo que a coordenadora fornece é a questão que muitas vezes o álcool é incentivado como remédio para problemas de saúde. Neste sentido, pede melhores políticas e maior fiscalização das leis respeitantes ao álcool, como a proibição da venda de bebidas a menores. O centro vai continuar na sua aposta na prevenção.

Os membros que frequentam o grupo, criaram o grupo de apoio alcoólicos anónimos e o grupo Nova Esperança formado por membros que têm conseguido vencer o vício do consumo do álcool.

A CAPS-ad na sua concepção partiu de uma abordagem mais dinâmica e inovadora no combate ao uso do álcool e da droga. O objectivo é disponibilizar aos utentes um tratamento adequado sem interromper as suas actividades diárias e tem uma equipa de psicólogos e outros profissionais para acolher os que querem tratar do problema.

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