Inforpress: Estado de Cabo Verde tem de dizer “muito claramente” se quer continuar com a agência

19/12/2016 08:36 - Modificado em 19/12/2016 08:36
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mcAgência de Notícias Inforpress, desafiou hoje o seu gestor executivo, considerando que, para isso, o Governo tem de ser “consequente” e investir na empresa. 

Carlos Santos, que falava aos jornalistas, na cidade da Praia, no âmbito de um encontro de reflexão sobre os desafios da agência na era da convergência tecnológica, disse que só assim a Inforpress conseguirá dar o salto no sentido da qualificação dos recursos humanos e da modernização tecnológica.

“Não podemos continuar sempre com discursos, a empurrar anos e anos. Ou queremos uma agência de notícias que seja eficiente, moderna do ponto de vista tecnológica, forte e independente do ponto de vista editorial, ou então teremos que tomar uma decisão que não gostaria de antecipar porque acredito na agência”, disse.

Carlos Santos é gestor único da Inforpress há quase quatro meses e, na altura da tomada de posse, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, que tutela a comunicação social, estabeleceu um prazo de ano para o gestor apresentar ao Governo uma proposta de “justificação” do investimento que o Estado faz na agência noticiosa.

Carlos Santos assumiu a gestão da Inforpress após o Governo do Movimento para a Democracia (MpD) ter revogado a fusão da agência com a empresa de rádio e televisão, decidida pelo anterior Executivo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

O responsável indicou que já fez uma avaliação da situação da empresa e que já foi entregue um primeiro documento ao Governo, fazendo o diagnóstico e apontando algumas propostas para a viabilização da agência de notícias cabo-verdiana, que já conta com 32 anos.

Adiantando que os sinais que tem recebido do Governo são que há “todo o interesse” em continuar com a agência, o gestor informou que o ministro Abraão Vicente já prometeu financiar um estudo de viabilidade e consultoria para a Inforpress.

“E pelas informações que tenho, o Governo vai avançar com uma primeira tranche desse montante para se fazer, para já, uma análise económica e financeira da agência e depois ver os caminhos possíveis para se garantir a sua sustentabilidade”, adiantou. 

Entretanto, essa vontade do Executivo de Ulisses Correia e Silva em manter a agência não foi traduzida no Orçamento de Estado para 2017, com Carlos Santos a avançar que o instrumento de gestão tem é o reajustamento da indemnização compensatória à empresa por causa da fusão.

Em declarações aos jornalistas, Carlos Santos, jornalista e quadro da Rádio de Cabo Verde, disse acreditar na viabilidade na Inforpress como modelo de negócio, não apenas para o mercado mediático cabo-verdiano, mas também junto das comunidades emigradas e nos grandes palcos onde Cabo Verde tem algum interesse, como a sub-região africana.

O gestor sublinhou, porém, que a agência, que neste momento é de acesso livre, já não pode disponibilizar apenas fotografias e textos, mas também apostar no áudio, no vídeo, na infografia e disponibilizar esses conteúdos a outras plataformas, como as tabletes e os telemóveis.

“É este o salto que temos que dar, mas é evidente que, com recursos próprios a Inforpress não consegue fazer isso, se o Estado, que é o dono da agência, não investir”, mostrou.

Quanto ao encontro de reflexão, disse que é mais uma etapa no sentido de envolver a sociedade cabo-verdiana, as universidades, os profissionais, para partilharem algumas experiências e mostrarem quais são os caminhos possíveis para viabilizar a empresa.

O encontro tem como um dos oradores Paulo Agostinho, editor da secção de Lusofonia e Mundo da Agência Lusa, e como um dos moderadores a delegada da Lusa em Cabo Verde, Cristina Fernandes Ferreira.

Lusa 

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